Arquitecto Manuel Graça Dias em congresso sobre habitação e vida moderna
Lisboa, 07 Fev (Lusa) - A relação entre as habitações e as necessidades da vida moderna é um dos temas do IX Congresso Internacional de Arquitectura e Desenho "Arquine 2008", que se realiza em Março, no México, com a presença do arquitecto português Manuel Graça Dias.
O congresso, previsto para entre 10 e 12 de Março, no Palácio de Belas Artes da Cidade do México, vai reunir arquitectos, críticos, engenheiros e desenhadores de uma dezena de países para perspectivar o futuro das habitações colectivas e as formas inovadoras de abordar o espaço doméstico.
"Continuamos ancorados a uma ideia de casa dirigida à família nuclear, o que já não faz sentido", declarou Miquel Adriá, director do "Arquine 2008", acrescentando que as habitações "quase não evoluíram" nos últimos 50 anos.
Por exemplo, há lugares como a sala de estar que ainda são entendidos apenas como um espaço para ver televisão e que se tornam obsoletos se não lhes forem dados outros usos, assim como as cozinhas já não servem apenas para preparar a comida mas também para muitas pessoas tomarem as refeições, acrescentou o arquitecto.
Para o director do "Arquine 2008", é possível melhorar o espaço onde se habita se forem tidas em conta "a polifuncionalidade, a diversidade e a flexibilidade, tanto a imediata (uso distinto de dia e à noite) como ao longo do tempo".
Reconhecendo a "actualidade do debate", Manuel Graça Dias salientou à agência Lusa que o uso que é dado a cada divisão não depende do que o arquitecto pensou, "pois a flexibilidade é dada por quem habita uma casa, não ficando pré-definida por quem faz o projecto".
Na opinião do arquitecto português, o tamanho de uma habitação "é um dos aspectos fundamentais quando se fala em polivalência", uma vez que "uma casa de 50 metros quadrados também é adaptável mas é-o necessariamente menos do que uma casa com uma área mais desafogada".
A "qualidade arquitectónica", nomeadamente ao nível dos materiais utilizados, foi também destacada por Manuel Graça Dias, para quem estes devem ser escolhidos "em função da duração em termos físicos e visuais".
Questionado acerca da relação área/preço das habitações, que força muitas pessoas a optarem por habitações mais pequenas, o arquitecto afirmou que o problema são "as margens de lucro exageradas" dos promotores imobiliários.
Manuel Graça Dias - que tem com o arquitecto Egas José Vieira o ateliê Contemporânea - vai apresentar no México projectos de edifícios de habitação plurifamiliares (prédios) e unifamiliares (moradias), nomeadamente o de um edifício de habitação colectiva em Guimarães, cuja primeira fase já está concluída, e o do empreendimento Bom Sucesso (casas de férias) em Óbidos, que também já arrancou.
Além de Manuel Graça Dias, vão estar presentes no "Arquine 2008" Alejandro Aravena (Chile), Qingyun Ma (China), Bjarke Ingals (Dinamarca), Mathias Sauerbruch e Louisa Hutton (Alemães), David Adjaye (Reino Unido) e David Trubridge (Nova Zelândia).
Participam também Eduardo Arroyo, Jaume Coll e Judith Leclerc, distinguidos no final de Janeiro com o Prémio de Qualidade da Habitação de Promoção Pública 2006 em Espanha, e os norte-americanos Marck Mack, Guy Nordenson, Kenneth Frampton, Cesar Pelli e Mark Goetz.
O congresso prevê ter uma assistência de 1.800 pessoas.
HSF.