Arquiteto André Tavares é o vencedor do Prémio Fernando Távora 2015
O arquiteto André Tavares é o vencedor da 10.ª edição do Prémio Fernando Távora, com a proposta "Ruínas, ou do Livro de Arquitetura", considerada de "profunda originalidade" pelo júri do galardão, foi hoje anunciado, em Matosinhos.
O anúncio do vencedor foi feito durante uma sessão que decorreu no salão nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, uma das entidades patrocinadoras do galardão, em conjunto com a Casa da Arquitetura (ACA), e organizado pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitetos (OASRN).
Para a concretização da proposta Ruínas, ou do Livro de Arquitectura, que obteve a unanimidade do júri, André Tavares irá receber uma bolsa de viagem no valor de seis mil euros.
Para o júri, a proposta vencedora distingue-se "por uma profunda originalidade: percurso por edifícios e edições originais de livros em Roma, Vicenza, Paris e Londres, a fim de, através da história do livro de arquitetura, sintetizar a cultura arquitetónica europeia".
O roteiro da viagem de André Tavares, que decorrerá entre 07 de julho e 04 de agosto, passará pelas narrativas dos livros e construções arquitetónicas daquelas cidades europeias.
"Num momento em que as tecnologias digitais ameaçam a compreensão das qualidades físicas dos objetos, o livro é um reduto da arquitetura que exige a compreensão da sua natureza física, da textura das suas páginas, da natureza do seu peso", considerou ainda o júri.
No final da viagem, que percorrerá edifícios e edições originais de livros em Roma, Vicenza, Paris e Londres, "será possível, através da história do livro de arquitetura, pensar uma síntese da cultura arquitetónica europeia".
André Tavares nasceu no Porto, em 1976, e frequentou a Faculdade de Arquitetura da Universidade da mesma cidade, onde se licenciou em 2000 e doutorou em 2009.
Tem atividade esporádica como arquiteto e publica com regularidade artigos de crítica, teoria e história da arquitetura, sendo autor, entre outros, das obras "Arquitetura Antituberculose, trocas e tráficos na construção terapêutica" (Faup-publicações, 2005), "Os fantasmas de Serralves" (Dafne, 2007), e "Duas Obras de Januário Godinho em Ovar" (Dafne, 2012).
É coordenador editorial da Dafne Editora, onde dirige as coleções "Equações de Arquitetura", "Opúsculos" (2007-2011) e "Fora de Série", e comissário geral - com Diogo Seixas Lopes - da Trienal de Arquitetura de Lisboa 2016.
Presidido pelo escritor Valter Hugo Mãe, o júri da 10ª edição do Prémio Fernando Távora foi ainda constituído pelos arquitetos José Manuel Botelho, João Luís Carrilho da Graça (nomeado pela Casa da Arquitetura), Pedro da Rocha Vinagreiro (em representação da Ordem dos Arquitetos da Secção Regional do Norte) e Luísa Távora, em representação da família do arquiteto Fernando Távora.
A conferência do vencedor e o anúncio público da constituição do júri e abertura da 11ª edição do Prémio decorrerá a 05 de outubro de 2015, Dia Mundial da Arquitetura.
Nas edições anteriores, foram premiados os arquitetos Susana Ventura, Nelson Mota, Sílvia Benedito, Maria Moita, Cristina Salvador, Armando Rabaça, Marta Pedro, Paulo Moreira, Sidh Mendiratta e Susana Ventura.
O Prémio Fernando Távora é anual e consiste na atribuição de uma bolsa de viagem, no valor de seis mil euros, e de âmbito nacional, destinado a todos os membros efetivos da Ordem dos Arquitetos.
Foi instituído em homenagem àquele arquiteto portuense, nascido em 1923 e falecido em 2005, que se tornou uma figura referência da arquitetura portuguesa pela sua atividade enquanto arquiteto e pedagogo.