Arquiteto chileno Smiljan Radic Clarke vence prémio Pritzker 2026
O arquiteto chileno Smiljan Radic Clarke, conhecido pelo seu trabalho experimental e originalidade, é o vencedor do prémio Pritzker 2026, o mais importante galardão mundial da arquitetura, anunciou hoje a organização.
O júri do Prémio Pritzker elogiou a capacidade de Radic Clarke - autor de projetos como Casa para o Poema do Ângulo Reto, no Chile, e Pavilhão Serpentine Gallery, no Reino Unido - tornar o "não óbvio em óbvio", criando realidades concretas onde as pessoas podem valorizar o ambiente de uma forma renovada.
Smiljan Radic Clarke, 55.º laureado do Prémio Pritzker de Arquitetura, é o fundador do ateliê com o seu nome, criado em 1995, e com uma prática desenvolvida ao longo de mais de três décadas a criar instituições culturais, espaços cívicos, edifícios comerciais, residências privadas e instalações no Chile, Albânia, Áustria, Croácia, França, Itália, Espanha, Suíça e Reino Unido.
Na justificação, o júri do galardão afirma sobre o arquiteto de 60 anos: "Através de um conjunto de obras posicionadas na encruzilhada da incerteza, da experimentação material e da memória cultural, Smiljan Radic privilegia a fragilidade em detrimento de qualquer pretensão injustificada de certeza".
"Os seus edifícios parecem temporários, instáveis ou deliberadamente inacabados - quase à beira do desaparecimento -, mas proporcionam um abrigo estruturado, otimista e silenciosamente alegre, abraçando a vulnerabilidade como uma condição intrínseca da experiência vivida", acrescenta o júri, no comunicado oficial.
São indicados pelo júri, como emblemáticos, edifícios parcialmente embutidos no solo, em vez de colocados sobre ele, como o Restaurante Mestizo (Santiago, Chile, 2006), orientados para se protegerem dos ventos predominantes ou da luz intensa, como a Casa Pite (Papudo, Chile, 2005), ou moldados através da reutilização adaptativa em vez da substituição, como em Chile Antes de Chile, extensão do Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana (Santiago, Chile, 2013).
"Em cada obra, ele é capaz de responder com originalidade radical, tornando o não óbvio em óbvio. Ele volta aos fundamentos básicos mais irredutíveis da arquitetura, explorando ao mesmo tempo limites que ainda não foram tocados. Desenvolvido num contexto de circunstâncias implacáveis, no fim do mundo, com uma prática de apenas alguns colaboradores, ele é capaz de nos levar ao âmago do ambiente construído e da condição humana", comenta Alejandro Aravena, presidente do júri e vencedor do Prémio Pritzker em 2016.
Materiais como betão, pedra, madeira e vidro são utilizados em relação deliberada uns com os outros para moldar o peso, a luz, o som e o recinto. No Serpentine Gallery Pavilion (Londres, Reino Unido, 2014), "uma estrutura translúcida de fibra de vidro repousa sobre imensas pedras locais que suportam o peso, e a luz é filtrada em vez de exibida, e o recinto permanece parcial, permitindo aos visitantes experimentar o abrigo sem separação completa do parque circundante".
Em 2017, Radic fundou a Fundação de Arquitetura Frágil em Santiago, concebida como uma plataforma para o intercâmbio público e um arquivo de trabalho. A coleção da fundação, composta por trabalhos experimentais, estudos e referências de outros arquitetos, forma um corpo de investigação que muitas vezes influencia os seus próprios projetos.
Nascido em Santiago, Chile - onde reside e trabalha - a 21 de junho de 1965, Radic Clarke cresceu com a família de imigrantes com raízes croatas por parte do pai, e britânicas, por parte da mãe. Atualmente tem projetos para Albânia, Espanha, Suíça e Reino Unido.
Formou-se na Universidade Católica do Chile em 1989 e continuou os seus estudos no Instituo Universitário de Arquitetura de Veneza, em Itália.
"A arquitetura existe entre formas grandes, massivas e duradouras --- estruturas que permanecem sob o sol durante séculos, aguardando a nossa visita --- e construções menores e frágeis --- fugazes como a vida de uma mosca, muitas vezes sem um destino claro sob a luz convencional. Dentro dessa tensão de tempos díspares, esforçamo-nos para criar experiências que transmitam presença emocional, incentivando as pessoas a fazer uma pausa e reconsiderar um mundo que tantas vezes passa por elas com indiferença", expressa Radic, citado no comunicado da organização do Pritzker.
No ano passado, o arquiteto chinês Liu Jiakun, e em 2024, o japonês Riken Yamamoto foram colocados no `panteão Pritzker` da arquitetura onde figuram também os portugueses Álvaro Siza Vieira (1992) e Eduardo de Souto Moura (2011), o brasileiro Paulo Mendes da Rocha (2006), o chileno Alejandro Aravena (2016), as irlandesas Yvonne Farrell e Shelley McNamara (2020), o inglês David Alan Chipperfield (2023) e Francis Kéré (2022).
Fundado em 1979 por Jay A. e Cindy Pritzker, o Prémio Pritzker de Arquitetura visa homenagear anualmente um arquiteto vivo cujo trabalho demonstre "uma combinação de qualidades de talento, visão e compromisso, produzindo contribuições consistentes e significativas para a humanidade e o ambiente construído".