"Arte de Roubar" de Leonel Vieira em Abril
O realizador Leonel Vieira apresentou a comédia negra "Arte de Roubar", descrevendo-a como o filme que mais desejou fazer e cujo elenco conta com Nicolau Breyner, Magui Mira, Ivo Canelas e Enrique Arce nos principais papéis.
A longa-metragem, cuja rodagem começou há cinco semanas, foi apresentada numa conferência de imprensa em Lisboa, com a presença daqueles actores e ainda de Soraia Chaves e Flora Martinez, que também integram o elenco principal, bem como de representantes das produtoras Stopline, Nadie es Perfecto, e da SIC.
"Este foi o filme que mais desejei fazer", declarou Leonel Vieira aos jornalistas, comentando que é o tipo de cinema que gosta muito de criar, apesar de ser "um género pouco abordado, tanto a nível nacional como internacional".
O cineasta estreou este ano "Julgamento", a sua sexta-longa-metragem depois de "Um tiro no Escuro" (2005), "A Selva" (2002), "A Bomba" (2001), "Zona J" (1998) e "A Sombra dos Abutres" (1998).
O realizador e produtor manifestou grande contentamento com o projecto, assinalando que está muito satisfeito com o desempenho do elenco, com as condições de trabalho e com o apoio que obteve, concluindo que "Arte de Roubar" "tem tudo para funcionar bem junto do grande público".
Na acção estão envolvidos - Chico (Ivo Canelas) e Fuentes (Enrique Arce) -, dois amigos que vivem de pequenos roubos, golpes e contos do vigário, mas quase todos acabam por falhar, até que são desafiados por Augusto (Nicolau Breyner), um velho mordomo, a assaltar a herdade onde trabalha para roubar um quadro de Van Gogh no valor de cinco milhões de euros pertencente a uma Condessa (Magui Mira) para quem trabalha há mais de três décadas.
"O filme tem um final feliz, mas há muitas surpresas porque os bons da fita, afinal, acabam por revelar-se os mais maus", observou, apontando ainda que a história "é muito divertida, tem muito ritmo e acção, por vezes violência".
"Arte de Roubar" tem produção da Stopline Films (produtora de Leonel Vieira) e da Fado Filmes, e co-produção da espanhola Nadie es Perfecto, da SIC, Cinemate.
Leonel Vieira comentou que sente "mais facilidade" em criar filmes com uma forte componente de entretenimento e defendeu que "sendo o cinema uma arte muito cara, deve conseguir comunicar com muitas pessoas".
Adiantou que a pós-produção será mais demorada do que o habitual porque terá muito trabalho técnico em 3D: "Quero fazer um filme de patamar elevado, que esteja ao nível internacional", justificou sobre a atenção e sofisticação que pretende dar ao elemento técnico da longa-metragem.
Questionado pela Agência Lusa como foi conjugar no filme dois idiomas com o elenco que escolheu - que junta actores portugueses e espanhóis (Magui Mira, Enrique Arce) e a colombiana Flora Martinez (Lola) - o realizador adiantou que o filme terá três versões originais (em português, espanhol e inglês) que visam responder aos acordos de vendas internacionais da longa-metragem.
Leonel Vieira destacou ainda a participação de Nicolau Breyner, "um actor de grande talento" e em quem pensou de imediato para o papel de mordomo Augusto, e de Soraia Chaves, actriz que escolheu para encarnar uma mulher "triste e feia, totalmente diferente do que o público está habituado a ver nela".
Por seu turno, Nicolau Breyner comentou que teve muita sorte em ser escolhido para este papel, que considerou "um bombom, um desafio para fazer o jogo total que o actor pode fazer".
"Durante muitos anos fiz só comédia, depois drama, e agora aparece-me uma papel de malévolo que é aquele em que o actor mais pode mostrar do que é capaz", disse ainda.
"Arte de Roubar" tem direcção de fotografia de José António Loureiro, direcção de arte de João Martins, como figurinista Inês Liverato, direcção de produção a cargo de Cândida Vieira, assistente de realização Raul Correira e guião de João Quadros e o espanhol Roberto Santiago.
Com rodagem prevista para terminar a 01 de Dezembro, "Arte de Roubar" tem como cenários Lisboa, Mouchão do Tejo, Vila Franca de Xira, Pinhal Novo e Gaeiras, e deverá estrear em Portugal a 17 de Abril de 2008, seguindo-se Espanha, provavelmente no mesmo mês, estimou o realizador.
A longa-metragem tem um orçamento de cerca de dois milhões de euros, com um apoio de 650 mil euros do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e é uma co-produção da Nadie es Perfecto, da SIC, Cinemate e CCFBR.