Exposição "Arte & Moda" abre hoje ao público na Fundação Calouste Gulbenkian

Exposição "Arte & Moda" abre hoje ao público na Fundação Calouste Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, abre hoje ao público a exposição "Arte & Moda", que junta obras da coleção daquela instituição com peças de vestuário de criadores como Givenchy, Vivienne Westwood e Guo Pei.

Lusa /
Miguel A. Lopes - Lusa

Ao todo são 270 as obras apresentadas, entre pinturas, gravuras, porcelanas e tapeçarias da Coleção Gulbenkian e peças de vestuário de colecionadores particulares e entidades como o MUDE - Museu do Design, em Lisboa, o Museu do Traje de Madrid, os arquivos da Givenchy, a Fundação Azzedine Alaïa, em Paris, a Maison Guo Pei, de onde chegaram seis peças "diretamente da China, algumas das quais são mostradas ao público na Europa pela primeira vez".

O comissário da mostra, Eloy Martínez de la Pera Celada, disse aos jornalistas, numa visita de imprensa na quinta-feira, que com "Arte & Moda" teve a oportunidade única "de trabalhar a Liga dos Campeões da Arte e da Moda".

Para o curador espanhol de arte, o maior desafio na preparação da exposição, que durou cerca de cinco anos, "foi encontrar as 140 peças de Alta Costura que conseguem dar continuidade à história que se queria contar ao público".

"Tivemos de arranjar peças de Moda ao nível das obras de arte, peças que pudessem dialogar com Rubens, Carpaccio ou uma das mais belas máscaras egípcias de ouro de sempre", disse.

"Arte & Moda" integra peças de criadores de moda como Alexander McQueen, Gianni Versace, Thierry Mugler, Vivienne Westwood, Christian Dior, Azzedine Alaïa, Yohji Yamamoto, Hubert de Givenchy, Cristóbal Balenciaga ou Issey Miake, havendo também peças criadas por designers de moda portugueses, como Miguel Vieira, Maria Gambina, José António Tenente e as duplas Storytailors e Alves/Gonçalves.

Eloy Martínez de la Pera Celada salientou a grandiosidade das obras que compõem a Coleção Gulbenkian, iniciada por "um dos mais importantes colecionadores de beleza do século XX".

"Calouste Gulbenkian não era apenas um colecionador, amava beleza, e, por isso, a exposição é um tributo a este tipo de pessoas que colecionam as mais belas peças da Humanidade, que agora estão em Lisboa num dos mais belos museus do mundo", afirmou no início da visita de imprensa.

O azul e branco das porcelanas, a cerâmica islâmica, o dragão e a fénix, a cor preta, o design de tapeçarias, as filigranas, o Japão, penas e símbolos do romântico são temáticas que formam núcleos da mostra, nos quais as peças de arte são postas em diálogo com as peças de vestuário.

Ao longo do percurso, as obras destacam-se num espaço onde as paredes, o chão e o teto foram forrados a preto.

"Arte & Moda" está patente na Galeria Principal do edifício sede e "faz a ponte entre o museu fechado e o que vai abrir", afirmou na mesma ocasião o ex-diretor do Museu Gulbenkian, António Filipe Pimentel, que ainda programou a exposição, recordando que este ano se celebra o 70.º aniversário da Fundação Calouste Gulbenkian.

A zona que acolhe a exposição permanente do museu está encerrada para obras de requalificação, prevendo-se a sua reabertura para o próximo mês de julho, quando passam exatamente 70 anos sobre a constituição da fundação, em 18 de julho de 1956.

A mostra estará patente até 21 de junho, de segunda a sexta-feira entre 10:00 e as 18:00, e aos sábados e domingos das 10:00 às 21:00.

No Museu Calouste Gulbenkian, que encerra à terça-feira, é possível visitar-se também uma exposição inédita do fotógrafo norte-americano Todd Webb, que reúne trabalhos realizados em Portugal entre 1970 e 1980.

Sob o tema "O Portugal de Todd Webb", a obra do fotógrafo é apresentada pela primeira vez em Portugal e pode ser visitada na Galeria do Piso Inferior até 27 de julho.

Com curadoria de Jorge Calado, a mostra inclui um conjunto de 61 fotografias resultantes das três viagens que Todd Webb (1905-2000) realizou em Portugal, entre 1972 e 1982, e que foram recentemente doadas à Fundação Gulbenkian pelo Arquivo Todd Webb, a fim de serem integradas no acervo da Biblioteca de Arte da Fundação.

Pouco conhecido em Portugal, Todd Webb fotografava ruas e pessoas comuns, edifícios, espaços urbanos e comunidades, tendo-se afirmado como um atento observador da vida quotidiana, frequentemente visto como uma espécie de historiador com uma câmara.

No Centro de Arte Moderna (CAM) da Gulbenkian estão atualmente patentes exposições individuais de Diogo Pimentão, "Força Transitória das Coisas", que cruza desenho, escultura e performance, com obras inéditas criadas em interação com o espaço, e de Bruno Zhu, "Belas Artes", que questiona as práticas museológicas a partir da coleção da instituição, e que está integrada numa linha de programação dedicada à dinamização da coleção da Fundação Calouste Gulbenkian, convidando artistas a interagir com o acervo para suscitar novas leituras.

O CAM tem também patente "Xerazade, a Coleção Interminável do CAM", uma exposição de longa duração inspirada na rainha Xerazade, narradora de "As Mil e Uma Noites", composta por uma seleção de obras da Coleção do CAM.

A mostra, inaugurada em setembro do ano passado e que fica patente até 20 de setembro de 2027, vai sendo periodicamente alterada, com mudanças de núcleos e obras.

"Xerazade, a Coleção Interminável do CAM", é a 65.ª mostra coletiva desde a inauguração do centro, em 1983, cujas aquisições desde essa altura ascendem atualmente a mais de 12.000 obras de arte moderna e contemporânea, com um forte foco na arte portuguesa do século XX e XXI, e um significativo núcleo de arte britânica e outras obras de artistas estrangeiros em vários suportes.

E por hoje ser sábado, entre as 14:00 de 18:00, está aberta a sala de Reservas Visitáveis do CAM, onde estão guardadas algumas das doze mil obras da Coleção do museu.

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