Artista Mariana Silva "muito honrada" com Prémio EDP Novos Artistas 2015
Lisboa, 09 jul (Lusa) - A artista plástica Mariana Silva, vencedora do Prémio Novos Artistas Fundação EDP 2015, no valor de 20 mil euros, disse hoje, em Lisboa, à agência Lusa, ter ficado "muito honrada" com a atribuição do galardão.
"É uma honra e espero continuar o meu trabalho como tenho feito até agora", declarou, questionada sobre as expectativas em relação a este prémio para novos valores da criação nacional no domínio das artes plásticas.
O vencedor - entre nove finalistas - foi hoje anunciado no Museu da Eletricidade, em Lisboa, por José Manuel dos Santos, diretor cultural da Fundação, também membro do júri, que, questionado pelos jornalistas, indicou que "a escolha não foi feita por unanimidade".
Na ata da reunião, o júri justificou a escolha da artista pela "consistência do seu trabalho e a investigação das questões culturais, políticas e tecnológicas do nosso tempo".
O trabalho em vídeo de Mariana Silva partiu da polémica em torno da destruição dos Budas afegãos pelos `taliban`, em 2001, justificada na altura pela representação ofensiva que significavam para as suas crenças.
A esta polémica, a artista, de 32 anos, juntou uma reflexão sobre novas tecnologias de digitalização em 3D de monumentos e artefactos museológicos, relacionando-as com ideias do escritor Miguel Tamen sobre a construção museológica do próprio conceito de cultura.
Mariana Silva disse à Lusa que pretende continuar a refletir sobre a questão da preservação de monumentos: "A preservação ou destruição de monumentos indica o que uma sociedade decide sobre eles, sobre o seu significado e herança cultural", disse, acrescentando que este tema "vai ser debatido nas próximas décadas".
Nascida em Lisboa, em 1983, Mariana Silva - que vive e trabalha atualmente em Nova Iorque - estudou pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, e foi distinguida na edição de 2008 do BES Revelação.
Participou em exposições coletivas em Lisboa, no Porto, em Nova Iorque, em Oslo e em Londres, e em individuais como "A Organização das Formas", na Kunsthalle Lissabon (Lisboa, 2011) e "Environments" (Nova Iorque, 2013).
Os outros oito artistas finalistas do prémio eram Nuno Vicente (instalação), Joana Escoval (escultura), João Grama (fotografia), Manuel Caldeira (escultura e desenho), Marco Pires (desenho), Pollyana Freire (instalação), Teresa Braula Reis (escultura) e Vasco Futscher Pereira (escultura e cerâmica).
Este ano, o prémio recebeu, segundo a Fundação EDP, um total de 762 candidaturas, o que constitui um número recorde de interessados.
A artista Ana Jotta, vencedora do Grande Prémio EDP/Arte 2013, o diretor adjunto e curador do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, João Ribas, a artista e curadora francesa Elfi Turpin, o diretor e curador do David Roberts Art Foundation, em Londres, Vincent Honoré, também integraram o júri desta 11.ª edição.
Entre os vencedores de anteriores edições contam-se Joana Vasconcelos, Vasco Araújo, João Maria Gusmão/Pedro Paiva, Carlos Bunga, André Romão, João Leonardo, Leonor Antunes, Gabriel Abrantes e Priscila Fernandes.
O prémio - criado em 2000 pela Fundação EDP, destina-se a apoiar a continuação do estudo ou do trabalho de criação e investigação do artista e à internacionalização da sua carreira - abrange as disciplinas de escultura, pintura, desenho, vídeo, `performance`, fotografia, instalação, arte postal e arte multimédia.
As obras dos finalistas vão estar expostas no museu até ao próximo dia 20 de setembro.