Artista Pedro Cabrita Reis com retrospetiva de mais de 200 obras em Málaga
Uma retrospetiva do artista Pedro Cabrita Reis, com mais de 200 obras, em pintura e escultura, sobre quarenta anos de trabalho, de 1980 à atualidade, está patente no Centro de Arte Contemporânea de Málaga, até março de 2021.
De acordo com o sítio `online` do centro de arte na região de Andaluzia, em Espanha, esta é a exposição mais importante que o artista português ali apresentou até hoje, composta por 220 pinturas e um conjunto de esculturas de bronze, intitulada "Cabinet d`Amateur", comissariada por Helena Juncosa.
A mostra, inaugurada a 15 de dezembro, deverá ficar patente durante três meses, com uma grande variedade das formas da arte pictórica de Cabrita Reis, e as suas referências, num discurso filosófico e poético expresso ao longo da carreira artística em pintura, escultura, fotografia, desenho e instalações compostas por materiais manufaturados, ou recolhidos pelo artista.
O espaço, a memória, o território e a arquitetura são alguns dos temas abordados nas suas obras, que, no Centro de Arte Contemporânea de Málaga, apresentam um título expositivo inspirado na novela homónima de Georges Perec, fazendo referência aos gabinetes de curiosidades ou câmaras de arte e maravilhas, populares nos séculos XVI a XIX, e que reuniam obras e objetos recolhidos por colecionadores ao longo da vida, muitas vezes a cobrir paredes do chão ao teto.
A pintura é a base da obra de Cabrita Reis, e o desenvolvimento deste meio levou-o a um longo processo, até criar peças tridimensionais, dentro de uma visão do mundo quotidiano e das coisas simples, a contemplação da natureza e a paisagem, a perceção dos objetos, a sensação de vazio e o rasto humano.
Nos anos 1980 produziu uma pintura influenciada pelo neoexpressionismo e a `transvanguarda` italiana, em paralelo com o desenho, ao qual sempre esteve ligado.
Na exposição também se encontram autorretratos, aproximações a obras de outros artistas que admira, como Giorgio Morandi ou Pablo Picasso, portas e paisagens realizadas com técnicas e materiais diversos, pintura sobre cristal e aguarelas.
As paisagens são o principal destaque desta retrospetiva, apresentadas pelo artista como "emoções que transmitem a experiência do território" em seu redor, em obras como "Paisagens geométricas" (2008) ou as abstratas, numa dezena de pintura "Sem título" (2011), ou "Landscapes 2020" (série I).
Nascido em Lisboa, em 1956, Pedro Cabrita Reis fez formação académica em pintura, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, em 1983, e da sua trajetória destacam-se exposições individuais como "Work Always in Progress", no Centro Galego de Arte Contemporânea (CGAC), Santiago de Compostela, também em Espanha (2019), "La Casa di Roma", um trabalho realizado especificamente para o museu Maxxi, em Roma, Itália (2015), e "A Linha do Vulcão", no Museu Tamayo Arte Contemporãnea, no México (2009).
Participou também em importantes exposições internacionais como a Documenta IX de Kassel, em 1992, a Bienal de São Paulo, em 1994 e 1998, a Bienal de Veneza, em 1997 e 2013, e a Bienal de Lyon (2009).
Em 2003, na 50.ª edição da Bienal de Veneza, Pedro Cabrita Reis foi o representante oficial de Portugal.
A sua obra está representada em coleções de instituições internacionais como a Tate Modern, em Londres, a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a Hamburger Kunsthalle, em Hamburgo, e a Fundação de Serralves, no Porto.