Artistas Unidos vão estrear "Disco Pigs", uma peça sobre amor adolescente
Amor e dependência entre dois adolescentes que se conhecem desde que nasceram estão no centro da história de "Disco Pigs", a peça de Enda Walsh que os Artistas Unidos estreiam sexta-feira na Sociedade Guilherme Cossoul, em Lisboa.
"É a melhor história de amor teatral dos anos 90", disse hoje à Lusa a encenadora, Franzisca Aarflot, uma norueguesa que, ao dirigir actores portugueses - Cecília Henriques e Pedro Carraca -, teve de apostar mais no lado físico da interpretação deles e, quanto ao texto, confiar na tradução feita por Joana Frazão.
A dificuldade residia no tipo de linguagem utilizado nos diálogos: um misto de irlandês, calão, frases de bebé, `rap` e poesia.
Porco e Pulga (Pig e Runt, no original) são os nomes das personagens, nascidas no mesmo dia, no mesmo hospital, com uma diferença de segundos, embora não sejam irmãos.
É essa a base da sua cumplicidade para a vida: crescerão inseparáveis, até que, na adolescência, o despertar da sexualidade do rapaz abalará o mundo de ambos, devido à sua incapacidade de lidar com os ciúmes e o sentimento de perda da rapariga, que o fazem entrar numa espiral de destruição.
Com um ritmo vertiginoso, muito físico, intercalado com música, a peça - classificada para maiores de 16 - é a primeira do dramaturgo irlandês e foi pela primeira vez apresentada em 1997, no Festival de Edimburgo, onde obteve o primeiro prémio, ao qual se seguiriam vários outros.
Por utilizar uma linguagem nova, alguns críticos, além do público, tiveram também dificuldades em compreender o texto, embora não a história.
"Eles diziam: não percebi dois terços dos diálogos, mas a peça é fantástica, absolutamente fantástica", relatou Franzisca Aarflot, que pela primeira vez está a encenar uma peça de Enda Walsh e conhecerá o autor em Lisboa, no dia 15 de Novembro.
A ela, que pela primeira vez viu "Disco Pigs" no Bush Theatre, em Londres, em Setembro de 1997, depois do furor que causara em Edimburgo, tocou-a a energia da peça, as personagens magoadas e aquela forma de comunicarem, embora admita que também percebeu "pouco mais do que um terço dos diálogos".
A versão portuguesa é perfeitamente inteligível, já que a tradução privilegiou o uso de calão - conhecido por um maior número de pessoas - em vez da tal linguagem inventada de bebés, mais codificada e exclusiva.
Além disso, a encenadora contou com a colaboração do actor dos Artistas Unidos Paulo Pinto para ajudá-la a dirigir os dois actores já mencionados e ainda Américo Silva, cuja participação é apenas vocal.
"É um `roadmovie` teatral e um concerto, em determinado sentido. Há quem pense que é uma peça trágica, mas eu não acho, porque o final fica em aberto", sustentou a encenadora.
"Disco Pigs" estará em cena na Sociedade de Construção Guilherme Cossoul até 02 de Dezembro, de quarta-feira a sábado às 21:30 e ao domingo às 17:00.