Artur Garcia homenageado em Lisboa pelos 50 anos de carreira

| Cultura

O cançonetista Artur Garcia é homenageado sexta-feira no Fórum Lisboa, quando completa 68 anos, num espectáculo onde participam, entre outros, Maria Amélia Canossa, Maria José Valério e Alexandra.

O espectáculo "visa festejar os 50 anos de carreira do cançonetista que será dos mais premiados da música portuguesa", disse à agência Lusa Carlos Jorge Espanhol, coordenador da iniciativa Em 2003 Artur Garcia foi homenageado em Almada pelos seus 45 anos de carreira, mas segundo Carlos Jorge Espanhol, "foi um erro de cálculo" já que Artur Garcia começou a "cantar muito mais cedo".

Natural do bairro de Alcântara, em Lisboa, Artur Garcia foi empregado dos Armazéns Grandela e "incentivado pelos colegas frequentou o Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional" onde se estreou ao lado de nomes como Maria de Fátima Bravo ou Simone de Oliveira.

Em declarações à Lusa Artur Garcia salientou que a sua carreira "foi feita pelo povo", que o elegeu por duas vezes Rei da Rádio, em 1967 e 1968 e, em 1969, Príncipe do Espectáculo.

Em 1967, quando Eduardo Nascimento venceu o Festival RTP da Canção com "O vento mudou", Artur Garcia mereceu em votação paralela feita pelo público o 1º lugar com a canção "Porta secreta".

Nesse mesmo ano vencia o I Festival da Canção da Figueira da Foz e o Festival de Aranda Del Duero, em Espanha.

"Com +Porta secreta+ vendi milhares de discos. Se naquele tempo fossem dados discos de ouro pelas vendas, eu tinha a casa forrada", afirmou o cantor, recordando êxitos como "Amor", "Como o tempo passa", "Menina triste", "A cidade do sol", "Bom dia", "Homem do leme", ou "Olhos de veludo", com o qual venceu um dos festivais da Figueira da Foz.

Em declarações à Lusa, o artista reconheceu os "altos e baixos" e "a travessia no deserto", mas afirmou "guardar os melhores momentos", que não são necessariamente os êxitos, mas "o contacto humano".

A sua popularidade foi sempre grande, além das actuações em espectáculos transmitidos pela rádio ou na televisão, começou cedo a integrar os elencos das revistas do Parque Mayer.

"Sete colinas", "Frangas na grelha" e "Todos ao mesmo", foram as primeiras onde participou.

à Lusa declarou que "desde novo" teve uma "enorme atracção e paixão pelo palco", aliás "representar é ainda um sonho", disse.

Relativamente à sua popularidade recordou um episódio passado no Porto, ao saber-se que comprava um par de sapatos na Rua de Santa Catarina, "o povo acorreu de tal forma que se tornou impossível circular, até os transportes colectivos tiveram de parar", disse.

O artista realizou também inúmeras digressões além-fronteiras.

Índia, Canadá, Estados Unidos (ao lado de Amália Rodrigues), França e Itália foram alguns dos países onde actuou.

Ao seu lado subiram ao palco outras vedetas, como Julio Iglésias, com quem estabeleceu amizade, Sylvie Vartan - "que era muito antipática" -, Rafael ou Carmen de Sevilha.

Em Espanha alcançou "enorme êxito, tendo participado em vários programas de televisão", também no Brasil conheceu uma carreira de sucesso.

Das digressões a África recorda o enorme esforço feito onde cantou, "em sítios incríveis, em cima de carros de combate, cheios de pó e sem tomar banho, mas sempre acolhidos com enorme carinho pelos militares, que nos recebiam como se fossemos familiares".

No Fórum Lisboa, sexta-feira, Artur Garcia é homenageado pela sua carreira artística, subindo ao palco Alexandra, Mara Abrantes, Maria José Valério, Maria Amélia Canossa, Olívia, Henrique Feist, Mário Guerra, Jorge Baião, e os actores Octávio de Matos e Isabel Damatta.

O espectáculo é coordenado por Carlos Jorge Espanhol, coreografado por Jorge D. Carvalho e a orquestra de 15 elementos será dirigida pelo maestro Correia Martins.

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