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Arundhati Roy entre finalistas do Women`s Prize de não-ficção com as suas memórias

Arundhati Roy entre finalistas do Women`s Prize de não-ficção com as suas memórias

A escritora indiana Arundhati Roy é uma das seis finalistas ao Women`s Prize de não-ficção, com o livro "Meu abrigo, minha tempestade", numa lista "excecional", que inclui Lyse Doucet, Ece Temelkuran, Daisy Fancourt, Judith Mackrell e Jane Rogoyska.

Lusa /
Arundhati Roy entre finalistas do Women`s Prize de não-ficção com as suas memórias DR

Escolhidas a partir de uma lista de 16 nomeadas ao prémio, as obras que figuram na `shortlist`, hoje divulgada pela organização, exploram, através de perspetivas pessoais, temas como migração, conflito, identidade, criatividade, bem-estar e ligação humana, numa seleção que o júri considera "oportuna e intemporal".

"The Finest Hotel in Kabul: A People`s History of Afghanistan", de Lyse Doucet, "Art Cure: The Science of How the Arts Transform Our Health", de Daisy Fancourt, "Artists, Siblings, Visionaries: The Lives and Loves of Gwen and Augustus John", de Judith Mackrell, "Hotel Exile: Paris in the Shadow of War", de Jane Rogoyska, e "Nation of Strangers: Rebuilding Home in the 21st Century", de Ece Temelkuran, são as restantes finalistas do Women`s Prize for Non-Fiction.

Segundo a presidente do júri, Thangam Debbonaire, as obras agora anunciadas evidenciam "o poder e a necessidade da escrita de mulheres", numa altura em que dados recentes apontam para um declínio nas vendas de não-ficção em papel no Reino Unido.

"Estes livros são um antídoto urgente contra a desinformação e a má informação, escritos com elevados padrões de rigor académico. Oferecem perspetivas ricas e originais, num mundo frequentemente fragmentado e incerto. São seis livros de autoridade, contados com humanidade", acrescentou, citada no comunicado oficial do Women`s Prize.

O livro de memórias "Mother Mary Comes to Me" ("Meu abrigo, minha tempestade", na tradução portuguesa, pela Asa) da escritora e ativista Arundhati Roy, no qual a autora transforma a dor pela morte da mãe em narrativa, é o único dos livros finalistas publicado em Portugal.

Nesta obra, a autora de "O deus das pequenas coisas", com o qual se consagrou a primeira pessoa indiana a vencer o Prémio Man Booker, explora a relação complexa e intensa que teve com a mulher de quem se afastou aos dezoito anos, percorrendo a sua vida desde a infância em Kerala até aos dias atuais.

Em "The Finest Hotel in Kabul: "A People`s History of Afghanistan", a jornalista canadiana, correspondente internacional da BBC, Lyse Doucet aborda a história contemporânea do Afeganistão através das vivências de funcionários e hóspedes do Hotel Inter-Continental de Cabul, aqui usado como metáfora do país.

Já a obra "Art Cure: The Science of How the Arts Transform Our Health", escrito pela cientista britânica Daisy Fancourt, explora, com base em investigação científica, como a participação nas artes e na criatividade pode melhorar a saúde física e mental, reduzindo o `stress` e a depressão e contribuindo para uma vida mais longa e saudável.

A escritora e crítica de dança britânica Judith Mackrell relata as vidas entrelaçadas e a relação artística e pessoal dos irmãos Gwen e Augustus John, explorando o seu impacto na arte britânica e as tensões entre ambição, talento e vida íntima, na obra "Artists, Siblings, Visionaries: The Lives and Loves of Gwen and Augustus John".

"Hotel Exile: Paris in the Shadow of War", da escritora britânica de origem polaca Jane Rogoyska, retrata a história do Hotel Lutetia, em Paris, desde a sua fundação, em 1910, como ponto de encontro de artistas e intelectuais, mas também cenário de episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial.

Neste livro, a autora conta as histórias dos frequentadores do hotel, desde intelectuais e ativistas políticos fugidos da Alemanha nazi, a oficiais da contraespionagem alemã presentes no hotel durante a ocupação, até sobreviventes do Holocausto que ali procuraram refúgio após a libertação, explorando o impacto humano do exílio, da guerra e da sobrevivência.

Quanto à jornalista e escritora turca Ece Temelkuran, optou por explorar, no seu "Nation of Strangers: Rebuilding Home in the 21st Century", como as crises políticas, a migração e a globalização têm fragmentado o sentido de pertença, propondo novas formas de reconstruir a ideia de "casa" no século XXI.

Desde que deixou o seu país há uma década, Ece Temelkuran acompanha o crescimento de crises globais, alertando para a aproximação do fascismo e para a fragilidade das instituições e lares, tema que aborda em "Nation of Strangers", através de cartas escritas de um estrangeiro para outro, combinando reflexão política e experiência pessoal, e mostrando como, num mundo cada vez mais opressivo e fragmentado, a sobrevivência e o sentido de "casa" dependem da solidariedade entre aqueles que se tornam estranhos.

De acordo com a organização do prémio, estes seis livros refletem a diversidade da escrita de não-ficção contemporânea, cruzando diferentes geografias --- da Ásia à Europa e ao Médio Oriente --- e abordando experiências individuais que revelam dimensões universais da condição humana, incluindo resiliência, coragem e adaptação.

A vencedora será anunciada a 11 de junho, em Londres, juntamente com a obra vencedora do Women`s Prize for Fiction.

O prémio literário Women`s Prize for Non-Fiction distingue obras de não-ficção escritas por mulheres, um "prémio irmão" do Women`s Prize for Fiction, que foi anunciado em fevereiro de 2023 e atribuído pela primeira vez em 2024.

O prémio principal tem o valor de 30 mil libras (cerca de 35 mil euros) e será financiado pelo Charlotte Aitken Trust, um fundo criado pelo agente literário Gillon Aitken (1938-2016) em nome da sua única filha, Charlotte, que morreu em 2011, com 27 anos.

No ano passado, a vencedora do Women`s Prize for Non-Fiction foi a médica de cuidados paliativos do Serviço Nacional de Saúde britânico Rachel Clarke, com "The Story of a Heart".

AL // MAG

Lusa/Fim

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