Associações de estudos firmam protocolo para divulgar obra de Bocage e de Álvares de Nóbrega

Divulgar a poesia de Barbosa du Bocage e de Álvares de Nóbrega é um dos objectivos do protocolo que as duas associações de estudo destes autores assinam na próxima quarta-feira no Centro de Estudos Judiciários, antiga cadeia do Limoeiro, em Lisboa.

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Bocage e Álvares da Nóbrega estiveram presos naquela cadeia por defenderem os ideias de liberdade proclamados pela Revolução Francesa (1789).

De acordo com os seis pontos do protocolo, a Associação de Estudos Bocageanos e a EFAN - Estudos Nobricenses prometem conjugar esforços para divulgar a poesia dos dois autores, incentivar o seu estudo junto dos investigadores e "aprofundar o estudo da segunda metade do século XVIII", época em que viveram.

O documento, que será assinado pelos presidentes das duas instituições, estabelece ainda que estas realizem sessões de lançamento de obras por si publicadas e que "divulguem a realidade de ambas as cidades".

Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu na cidade de Setúbal em 1765 e, segundo o seu biógrafo Adriano Alcântara, alistou-se em 1781 na Academia de Guardas-Marinha, "quando conhece a boémia da capital do reino", Lisboa.

A sua vida foi tumultuosa entre vários amores, "companheiros de estúrdias", tendo conhecido a prisão por ordem do intendente Pina Manique pela autoria de "papéis ímpios e sediciosos".

Bocage procurou em Camões um modelo, o que deixou expresso num soneto em que se afirma "irmanado no mesmo fado".

Francisco Álvares de Nóbrega, nascido no Machico (Madeira) em 1772, ficou conhecido por "Camões pequeno" depois de uma vida plena de desventuras que, por motivos políticos, o lançou várias vezes nas cadeias do Reino.

O epíteto por que ficou conhecido tem interessado vários historiadores, nomeadamente Joel Serrão, que sobre ele escreveu.

Em 2001 a editora Arguim-Madeira publicou "Vida e obra de Álvares de Nóbrega", compilação de textos sobre o poeta resultantes de um conjunto de palestras no Machico, coordenadas por Joel Serrão.

Zita Cardoso, uma das colaboradoras da obra, referiu à Lusa que os sonetos de Nóbrega são "de requintada inspiração pessoal, mas influenciados pela leitura de Camões e do próprio Bocage".

Quarta-feira, após a assinatura do protocolo serão proferidas as palestras "Para uma biografia de Francisco Álvares de Nóbrega", por Ivone Correia Alves, e "Bocage - retrato de um livre-pensador", por Daniel Pires.

Serão ainda lidos poemas dos dois autores por Alexandre Aveiro e Virgínia Costa, acompanhados ao piano por Rui Serôdio.

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