Atores porno na Califórnia obrigados a usar óculos protetores contra fluidos

Preservativos, consultas médicas pagas e vacinas contra a hepatite B fazem parte do novo plano que as autoridades sanitárias da Califórnia querem impor à indústria pornográfica. O plano de saúde parece, no entanto, ir longe demais quando quer impor aos atores o uso de óculos de proteção. Os artistas contra-argumentam que as cenas de sexo passarão a parecer mais um argumento hospitalar.

RTP /
Daniel Muñoz, Reuters

Nos últimos anos, a indústria pornográfica da Califórnia tem sido assaltada pelos fantasmas da sida e das doenças sexualmente transmitidas. No ano passado as rodagens pararam mesmo depois de alguns atores terem acusado positivo em testes de HIV, o que relançou a questão do uso de preservativos nas cenas de sexo.

As propostas das autoridades sanitárias daquele Estado da costa oeste estão no entanto a ser alvo de contestação por parte da indústria, que diz que se está a ir longe demais numa nova regulamentação com medidas castradoras da liberdade artística e assassinas daquele género cinematográfico.

“Estas regras são criadas para um ambiente hospitalar, não resultam num cenário de filmagem de filmes para adultos, ou até para um cenário de Hollywood”, defendeu Diane Duke, presidente da Coligação para a Liberdade de Expressão, uma associação sem fins lucrativos que funciona dentro da indústria porno norte-americana.
A ditadura dos fluidos
O uso de preservativo na indústria pornográfica para prevenir a transmissão de agentes patogénicos e doenças sexualmente transmissíveis está numa carta de intenções das autoridades sanitárias californianas (Cal/OSHA) desde 2009.

Michael Weinstein, presidente da Fundação para a Sida (AHF - AIDS Healthcare Foundation, na designação original) e um dos autores da proposta agora a debate, saúda o facto de a “discussão ter chegado já a este ponto”, em que se conclui a fase da discussão pública. Mas lamentou que tenha levado tanto tempo a pôr no papel uma proposta que obrigará a indústria do cinema pornográfico a proteger os seus protagonistas.

Diane Duke, por seu lado, sublinha que esta é uma questão que deveria contar com o contributo de todos os interessados na questão, representantes da indústria incluídos.

O uso de preservativo deverá passar a ser obrigatório nos filmes porno, de acordo com o endurecimento do cenário legal já defendido em 2012 pelo município de Los Angeles e apoiado pela AHF – o projeto levava o nome de Medida B e sustentava que estava assim protegido o direito à saúde pelos atores e atrizes da indústria.

Dentro da indústria é no entanto defendido que o uso de preservativos para controlar a troca de fluídos representa alguns problemas para as filmagens, já que podem rebentar ou simplesmente estragar a estética das cenas e arruinar o cenário de fantasia sexual.

Por outro lado, teme-se que a resposta à implementação das novas regras seja a fuga da indústria do Estado da Califórnia ou a sua passagem à clandestinidade.
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