Autarca de Penafiel escreve livro histórico sobre cristãos, muçulmanos e judeus
Porto, 17 Mai (Lusa) - A convivência entre muçulmanos, cristão e judeus, propondo a ideia de um Deus único que se manifesta culturalmente de formas diferentes é o tema desenvolvido por Alberto Santos, presidente da Câmara de Penafiel, no seu primeiro romance histórico.
Intitulada "A Escrava de Córdova", a obra "assenta num conjunto de factos e personagens reais, condimentada com uma parte fantasiada", disse hoje, à Lusa, Alberto Santos, que assina com o pseudónimo Júlio Maresia.
O início desta aventura literária justifica-se, segundo o autarca, pelo "gosto especial pela história, em particular pela história da Península Ibérica".
A acção decorre na passagem do século IX para o X, época de grandes tensões na Península Ibérica, e segue a vida de Ouroana, uma jovem nobre cristã, filha do Conde Múnio Viegas, primeiro Governador de Anégia e fundador da família dos Ribadouro.
Remonta a uma época especial da história peninsular, a da fragilidade dos Reinos Cristãos e do tempo áureo do Califado Omíada, sedeado em Córdova, onde governava (em nome do Califa) o seu chefe militar e civil mais conhecido: Almançor.
"A Escrava de Córdova" dá a conhecer "o ângulo mais brilhante, mas também o mais duro e cruel, da civilização muçulmana do al-Andalus", disse o autor.
A narrativa revela "a mentalidade, a geografia, o quotidiano urbano, as concepções religiosas, a fremente história do dobrar do primeiro milénio, mas, sobretudo, a intensidade com que se vivia na terra onde, mais tarde, nasceram Espanha e Portugal", acrescentou.
Editado pela Porto Editora, o livro dá "uma explicação rigorosa para a mescla cultural e civilizacional celto-muçulmana dos actuais povos peninsulares, mas também uma profunda lição sobre as origens, fundamentos e consequências da conflituosidade étnico-religiosa que hoje, tal como no distante ano 1000, ainda grassa no mundo".
O romance tem revisão científica do arabista Rui Santos e dos professores universitários Maria de Fátima Marinho, especialista em romance histórico, e Adalberto Alves, especialista em cultura árabe.
Alberto S. Santos tem 41 anos e é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa.
Exerceu a advocacia até 2002, quando passou a desempenhar funções autárquicas. É natural de Paço de Sousa, Penafiel, onde reside.
A apresentação desta primeira incursão do autarca pela literatura será feita por José Rodrigues dos Santos, que também prefacia a obra, e António Lobo Xavier, a 28 de Maio, pelas 19:00, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, no Porto.
"Ler este romance fez-me lembrar Amin Maalouf e O Périplo de Baldassare. Aqui vemos o mesmo gosto pelo detalhe e pelo pitoresco, num livro escrito com tanta alma que nos faz desejar ler sempre a próxima página", escreve José Rodrigues dos Santos.
PM.