Autarquia de Setúbal quer descobrir novos talentos no Concurso de Canto Luísa Todi

A descoberta de novos talentos e a afirmação da cidade como "capital portuguesa do canto lírico" são os principais objectivos do Concurso Nacional de Canto Luísa Todi que decorre de 18 a 23 de Junho, em Setúbal.

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Promovido pela autarquia sob a égide da cantora lírica que lhe deu nome, o Concurso Nacional de Canto Luísa Todi, que se realiza desde 2001, de dois em dois anos, tem vindo a afirmar-se progressivamente no panorama do canto lírico a nível nacional e internacional.

Segundo a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, este ano há 19 concorrentes portugueses inscritos - 10 homens e 9 mulheres -, mas a autarquia tem recebido muitas manifestações de interesse por parte de potenciais concorrentes de diversos países europeus e do Brasil.

"Este ano vamos ter um concurso nacional, que continua a ser o único que se realiza no nosso país, mas estamos a pensar na possibilidade de o transformar num concurso internacional já na próxima edição, uma vez que temos recebido muitos apelos nesse sentido provenientes do Brasil, de Espanha, da França e de Itália", disse à Lusa Maria das Dores Meira.

Com um orçamento de apenas 50.000 euros, que em grande parte serão financiados por empresas da região ao abrigo da Lei do Mecenato, o Concurso Nacional de Canto Luísa Todi conta este ano com o apoio financeiro do Ministério da Cultura, que atribuiu um subsídio de 8.000 euros para os primeiros prémios.

De acordo com a presidente da Câmara de Setúbal, uma das novidades para a edição deste ano é, justamente, a criação de dois primeiros prémios, para masculinos e femininos, cada um no valor de 4.000 euros.

"O júri sugeriu a criação de dois primeiros prémios e nós decidimos acolher essas proposta", justificou Maria das Dores Meira.

O concurso termina no sábado, dia 23 de Junho, com um concerto de apresentação dos vencedores, no Fórum Municipal Luísa Todi, com repetição no dia seguinte, domingo, no Teatro Nacional de São Carlos.

A cantora Luísa Rosa de Aguiar Todi, que deu o nome ao concurso, nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Anunciada, em Setúbal, a 9 de Janeiro de 1753, estreou-se, ainda como actriz, em 1767 ou 1768, no teatro montado na propriedade do Conde de Soure, em Lisboa, recitando com a irmã, as falas dos personagens de Tartufo, de Molière.

A 28 de Julho de 1769, quando tinha apenas 16 anos de idade, casou com o violinista de origem italiana Francesco Saverio Todi - de quem adoptou o último nome - , e um ano depois actuou no mesmo teatro onde tinha tido a sua estreia, mas já como cantora, na ópera "Il Viaggiatore Ridicolo", de Guiseppe Scolari.

Reconhecida pelas suas capacidades vocais e pela caracterização das personagens que interpretava, Luísa Todi viria a alcançar grandes êxitos em Londres, Paris, Berlim, Turim, Varsóvia, Veneza, Viena e São Petersburgo, o que lhe permitiu conviver de perto com a aristocracia europeia, como foi o caso de Frederico II da Prússia e Catarina II, imperatriz da Rússia.


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