Autores brasileiros e moçambicano juntos em livro para "fazer ponte"
Os escritores brasileiros Moacyr Scliar e Alberto da Costa e Silva e o moçambicano Mia Couto juntaram- se no livro "Pensando Igual", lançado segunda-feira em Maputo, numa iniciativa para "fazer a ponte que existe entre países-irmãos".
O livro, editado pela Moçambique Editora, da portuguesa Texto Editora, com o patrocínio da embaixada brasileira em Moçambique, resulta de uma colectânea de textos publicados pelos dois brasileiros, ambos membros da Academia Brasileira de Letras, e pelo mais traduzido autor moçambicano.
Mia Couto, que com Moacyr Scliar, apresentou o livro no Centro de Estudos Brasileiros de Maputo, considerou que a iniciativa "é um passo na descoberta recíproca que há que empreender de um lado e do outro" das relações entre brasileiros e moçambicanos.
As "raízes africanas do Brasil" foram evocadas por Moacyr Scliar, escritor de Porto Alegre e médico de formação, que não se coibiu de censurar um passado de desprezo e abandono a que foi votada a comunidade negra do seu país.
"Na minha Faculdade, não tive um colega preto, não havia um professor preto. Como dizia alto e bom som o seu director: +aqui, preto, só o telefone+".
Como alternativa, apontou o maior conhecimento mútuo, de que deu como exemplo a produção da obra conjunta como promotora de "um entendimento através do caminho da literatura em relação aos problemas comuns" dos dois países.
Moacyr Scliar, 67 anos, é autor de 73 livros, parte dos quais publicados em mais de 20 países, enquanto Alberto Costa e Silva, 73 anos, é diplomata de carreira (já exerceu as funções de embaixador do seu país em Portugal), além de poeta e historiador.
Mia Couto, 49 anos, biólogo e jornalista, é o mais publicado e traduzido escritor moçambicano, tendo o seu romance "Terra Sonâmbula" sido considerado um dos 12 melhores livros de África do século XX.