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Autores criticam em carta aberta exclusão da BD das bolsas de criação literária

Autores criticam em carta aberta exclusão da BD das bolsas de criação literária

Pelo menos 200 pessoas ligadas às artes visuais assinaram uma carta aberta, dirigida à ministra da Cultura, a lamentar a exclusão da banda desenhada das bolsas de criação literária, considerando que a decisão desvaloriza a produção desta arte.

Lusa /

"Acreditamos que a supressão deste apoio à criação não dignifica a banda desenhada", lê-se na carta que foi hoje tornada pública e que será enviada na segunda-feira à ministra da Cultura, Dalila Rodrigues.

De acordo com um dos divulgadores desta carta, o investigador Pedro Moura, a carta aberta soma atualmente cerca de 200 signatários da área da banda desenhada e das artes visuais.

Na passada terça-feira, a ministra da Cultura anunciou uma nova edição do programa de bolsas de apoio à criação literária, que exclui as áreas da banda desenhada, ilustração e também da literatura infantojuvenil.

Este programa de bolsas, que deverá abrir no final de março, é coordenado pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) e tem um montante global de 360.000 euros, para atribuição de 24 bolsas anuais de 15.000 euros cada.

Segundo a ministra da Cultura, as literaturas infantil e juvenil "serão objeto de programas específicos" em colaboração com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, enquanto as áreas de banda desenhada e ilustração estão a ser trabalhadas "no âmbito das residências artísticas nas bibliotecas".

O que quer dizer que os autores de banda desenhada e de ilustração "podem fazer as formações previstas nas residências artísticas" nas bibliotecas públicas de gestão municipal, disse a ministra sem adiantar pormenores nem montante.

Na carta aberta, "autores, investigadores, editores, docentes e discentes e leitores de banda desenhada" não só lamentam a decisão como reivindicam um reforço do programa, abrangendo as áreas da criação, da edição, da circulação, tal como já acontece noutras áreas artísticas como o cinema, a animação e as artes visuais.

Em anos anteriores, o apoio financeiro da DGLAB atribuído a autores de banda desenhada levou à criação "de vários livros de excelência", editados e traduzidos no estrangeiro e com "excelente receção crítica", sublinham.

Dinis Conefrey, Gonçalo Varanda, Francisco de Sousa Lobo, Ana Biscaia, Filipe Abranches, Joana Mosi, Paulo Monteiro e Marta Teives são alguns dos autores já abrangidos por estas bolsas na área da banda desenhada.

Na carta lê-se que a substituição da bolsa de criação literária por um modelo de residência artística nas bibliotecas é "uma decisão equívoca".

Os subscritores reconhecem o "potencial valor que um programa descentralizado de residências poderá ter na produção e promoção de uma cultura de banda desenhada por todo o país", mas dizem que os autores abrangidos pelas futuras residências podem ficar à mercê das prioridades das autarquias, das quais dependem as bibliotecas municipais.

De acordo com o Ministério da Cultura, todas as bolsas de criação literária passam a ser anuais, deixa de ser exigida exclusividade aos bolseiros, haverá quotas regionais e é reduzido o período de inibição de três para dois anos para anteriores beneficiários.

O novo modelo contempla "poesia, ficção narrativa, dramaturgia e escrita teatral e uma nova modalidade, a do ensaio", para "estimular o pensamento crítico", disse Dalila Rodrigues.

As bolsas destinam-se a cidadãos portugueses ou residentes em Portugal que escrevam em português.

O programa de bolsas de criação literária foi retomado em 2017, quando o Ministério da Cultura era dirigido por Luís Filipe Castro Mendes, depois de 15 anos de interrupção.

Em 2024, o programa não abriu, tendo apenas estado disponível o concurso de bolsas de criação literária no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, que atribuiu oito bolsas semestrais, num total de 60 mil euros.

Entre 2017 e 2023, foram apoiados autores como Djaimilia Pereira de Almeida, Ana Teresa Pereira, Judite Canha Fernandes, Afonso Reis Cabral, Valério Romão, Matilde Campilho, Hugo Gonçalves, entre muitos outros.

Na carta, a enviar na segunda-feira, é pedida uma reunião com Dalila Rodrigues "para que possam ser definidos princípios de circunstâncias e condições mais adequadas" à criação da banda desenhada.

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