Banco de Arte Contemporânea inaugura primeira exposição com espólios e obras de arte
A primeira exposição do Banco de Arte Contemporânea Maria da Graça Carmona e Costa (BAC) é inaugurada em 20 de março com espólios documentais e obras de artistas, galerias e críticos de arte, no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa.
Com curadoria de Lígia Afonso, Marta Guerreiro e Rita Salgueiro, a exposição, intitulada "Boa Viagem, Muitas Maravilhas", irá explorar a relação entre documentos e obras de arte, mostrando a diversidade de materiais guardados no BAC, segundo a organização.
O acervo do BAC inclui arquivos de figuras das artes como Alexandre Melo, Ana Vieira, António Palolo, Eduardo Nery, Pedro Morais, Graça Costa Cabral, João Pinharanda, José Luís Porfírio, Nuno de Siqueira e Teresa Magalhães, bem como coleções de galerias como a Quadrum e Judite Dacruz.
A mostra, que fica patente até 22 de junho, irá "explorar a importância dos arquivos na preservação e investigação da arte contemporânea", indica um comunicado do Atelier-Museu Júlio Pomar.
Entre os artistas representados, estão nomes de relevo da arte contemporânea como Ângelo de Sousa, Lourdes Castro, Júlio Pomar, Vieira da Silva, Mário Cesariny, Fernanda Fragateiro, Francisco Tropa e Christo.
A exposição também destaca a obra de artistas emergentes, "sublinhando o compromisso do BAC com a divulgação e investigação da arte contemporânea portuguesa e internacional", assinala.
Estão ainda representados artistas como António Areal, Carlos Nogueira, Pedro Lagoa, Catarina Câmara Pereira, E.M. de Melo e Castro, Fernando Calhau, Helena Lapas, Marília Torres, Hugo Canoilas, Louise Lawler, Maria Beatriz, Sérgio Taborda, Maria Felizol, Patrícia Garrido, Marta Soares, Rui Calçada Bastos, Menez e Mumtazz.
Criado com o objetivo de preservar e divulgar espólios documentais de arte contemporânea, o BAC é uma iniciativa coordenada pelo Atelier-Museu Júlio Pomar/Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC - Lisboa Cultura).
Com esta primeira exposição, a instituição diz pretender reafirmar o seu papel "como um centro de referência para o estudo e difusão da história da arte".
Em 2019, a diretora do Atelier-Museu Júlio Pomar, Sara Antónia Matos, tinha revelado à agência Lusa a criação do projeto Banco de Arte Contemporânea para receber espólios artísticos em situação de emergência ou risco de se perderem, e proceder à respetiva investigação.
Sobre o novo projeto, que estava ser iniciado, Sara Antónia Matos explicou à Lusa, na altura, que reuniria as vertentes de arquivo/acervo e polo de investigação, "para receber espólios documentais de arte contemporânea cuja salvaguarda seja de emergência, tanto de artistas como de historiadores e críticos de arte, em atividade desde a segunda metade do século XX".
Sara Antónia Matos entrou para a direção do Atelier-Museu quando o espaço abriu, em 2012, e em 2017 foi convidada para acumular com a direção das Galerias Municipais de Lisboa, em substituição do curador João Mourão.
A ideia da criação do BAC foi proposta por Maria Graça Carmona e Costa (1932-2024) à CML, com o objetivo de tratar e preservar os espólios para "compreender os desenvolvimentos da história da arte portuguesa, os seus autores, mais e menos reconhecidos".
A ideia da galerista e colecionadora era que o BAC contribuísse "para a divulgação da arte contemporânea portuguesa, permitindo o seu estudo por académicos e universitários, professores, investigadores, alunos, e por outros profissionais que operam no meio".
No contexto da arte portuguesa, a expectativa era "revelar e compreender uma história com as suas condicionantes próprias, fatores de desenvolvimento e momentos de progressão e retração", comentou, na altura Sara Antónia Matos, indicando que já tinham recebido espólios da artista plástica Ana Vieira (1940---2016) e da escultora Graça Costa Cabral (1939-2016).
O BAC, segundo Sara Antónia Matos, pretendia ainda assumir-se como "uma estrutura complementar à dos equipamentos museológicos, à universidade, a outros centros de documentação e arquivos, já existentes no país e na cidade de Lisboa".
A exposição "Boa Viagem, Muitas Maravilhas" é inaugurada no dia 20 de março, às 18:00, no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa.