Bárbara Virgínia, de ilustre desconhecida do cinema a nome de prémio
A Academia Portuguesa de Cinema entrega hoje, à atriz Leonor Silveira, o prémio Bárbara Virgínia, criado este ano para homenagear e resgatar do anonimato aquela que é considerada a primeira realizadora portuguesa.
"A morte este ano de Bárbara Virgínia teve um impacto em nós. É uma ilustre desconhecida para os portugueses, mas é uma verdadeira heroína. Este prémio é uma homenagem não só a ela, mas à participação da mulher no cinema português", afirmou à agência Lusa o presidente da academia, Paulo Trancoso.
Bárbara Virgínia, nome artístico de Maria de Lourdes Costa, foi atriz, bailarina e locutora de rádio e realizadora de cinema, a primeira mulher em Portugal a assumir essa função. Morreu em março, aos 92 anos, no Brasil, onde vivia há mais de 50 anos.
Em 1946, foi ainda a primeira mulher a apresentar um filme no então recém-criado Festival de Cinema de Cannes. Competiu com "Três dias sem Deus", que rodou e protagonizou: um filme que conta a experiência de uma professora primária numa remota aldeia do interior, onde enfrenta a desconfiança e as superstições dos aldeões.
"Numa altura em que muito poucas mulheres realizavam, ela aceitou o desafio de rodar um filme com pouco mais de vinte anos. Era muito completa, declamava, fazia teatro, escrevia para revistas como a Modas e Bordados", afirmou Paulo Trancoso, presidente da Academia Portuguesa de Cinema.
A primeira edição do prémio será hoje entregue à atriz Leonor Silveira, numa sessão na Cinemateca, em Lisboa, que contará com a presença de Bárbara Freitas, filha de Bárbara Virgínia.
Na sessão será exibida uma primeira versão de um documentário que está a ser feito sobre a realizadora, assinado por Luísa Sequeira, e um fragmento incompleto de "Três dias sem Deus", pertencente à coleção da Cinemateca.
Leonor Silveira, atriz de eleição do realizador Manoel de Oliveira, com quem se estreou em 1988, com "Canibais", recebe o prémio por ser "uma atriz única, singular, em Portugal e no mundo".
O júri desta primeira edição do prémio integrou Maria do Carmo Moser, Patrícia Vasconcelos, Sano de Perpessac, Beatriz Batarda e Cândida Vieira.