Batalha histórica é recordada com centro interpretativo

Lourinhã, Lisboa, 20 Ago (Lusa) - A aldeia do Vimeiro, na Lourinhã, comemora quinta-feira os 200 anos da batalha que celebrizou a localidade, com a abertura de um centro de interpretação que explica como se travou o confronto contra os invasores franceses.

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O centro está construído junto ao morro da colina onde se deram as lutas e tem vista privilegiada sobre o campo de batalha com o objectivo de explicar aos visitantes como decorreram os acontecimentos que marcaram o início da expulsão dos franceses.

A batalha de 21 de Agosto de 1808 foi travada durante a Guerra Peninsular entre as tropas de Junot (13 mil homens) e as luso-britânicas de Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington (18 mil homens), na sequência da primeira invasão francesa.

Na altura, o general Junot tinha ocupado Lisboa e assumido a presidência do conselho de Governo.

A batalha do Vimeiro, que surpreendeu os franceses pela estratégia utilizada e onde os ingleses testaram um novo tipo de bala explosiva, feita na Escócia, aconteceu quatro dias após a batalha da Roliça (Bombarral) onde os franceses sofreram a primeira derrota face ao exército luso-britânico, explicou à Lusa o historiador Rui Filipe.

Após a batalha da Roliça, o general Wellesley tem a informação que vai receber reforços que vão desembarcar em Paimogo e Porto Novo, junto à Lourinhã e ao Vimeiro.

"A ideia era chegar a Lisboa e dominar a capital e os ingleses optam por colocar tropas no Vimeiro para dar protecção ao desembarque que ia ocorrer ali perto", explicou Rui Filipe que há vários anos investiga a batalha do Vimeiro.

O desembarque acabou por não ser rápido devido à forte ondulação registada naqueles dias e entre 19 e 21 de Agosto os franceses (que estavam em Torres Vedras) decidem vir combater para o Vimeiro.

Os franceses chegam às proximidades do Vimeiro na noite de 20 para 21 de Agosto.

No cimo da colina do Vimeiro, Weslley colocou ingleses e portugueses em posições defensivas com peças de artilharia e sentinelas espalhadas pelos campos, dando a ideia de que seriam poucos os homens disponíveis para o combate.

Quando os franceses se aproximaram do local, decidem fazer um ataque frontal à colina porque avistam apenas um reduzido número de tropas.

"Os franceses vão ser surpreendidos pela táctica de simulação que Wellington vai usar até à batalha final em Waterloo", relatou Rui Filipe.

"Pelo que é dado a observar não será difícil o combate mas na realidade não sabem o que está por detrás da colina onde se esconde um elevado número de tropas", acrescentou.

O exército luso-britânico avança rapidamente e dispara sobre os franceses provocando a sua retirada.

No dia 22 de Agosto, os generais Wellesley e Kellermann assinaram, na Maceira (junto a Porto Novo), o acordo de cessar-fogo, depois ratificado sob a designação de Convenção de Sintra, que permitiu às tropas francesas saírem do país e levarem consigo os saques feitos durante a ocupação.

As memórias da sangrenta batalha fazem ainda hoje parte da povoação do Vimeiro e são visíveis na toponímia da localidade com nomes como "Lagoa de sangue" ou "Pinhal de Trombeta".

Duzentos anos depois do confronto, dezenas de balas e outros vestígios ainda aparecem nos terrenos do campo da batalha.

A população tem sido convidada a doar o espólio que encontrou ao longo dos anos para fazer parte da exposição permanente do novo centro de interpretação da batalha.

A exposição mostra uma centena de balas de chumbo, duas balas de canhão, botões de fardas, fragmentos de granadas e de um novo tipo de bala explosiva, que segundo o historiador foi utilizado pela primeira vez no Vimeiro.

O centro possui ainda um painel de azulejo que retrata uma cena da batalha, pintado pelo artista local Salvador Ferreira e vai abrir com uma exposição do Museu Militar intitulada "As Batalhas da Roliça e do Vimeiro no âmbito da 1ª Invasão".

No futuro, adiantou o presidente da câmara da Lourinhã, José Custódio, o centro "disporá de uma biblioteca e de conteúdos multimédia que poderão ser visionados no auditório".

O novo equipamento servirá também as dezenas de turistas, sobretudo ingleses, que anualmente visitam o Vimeiro em busca de informações sobre a batalha e que apenas encontravam um monumento a assinalar o primeiro centenário.

ZO.

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