BD "Astérix na Lusitânia" sai em mirandês em outubro

BD "Astérix na Lusitânia" sai em mirandês em outubro

A tradução mirandesa do livro de banda desenhada "Astérix na Lusitânia", dos franceses Fabcaro e Didier Conrad, vai ser publicada em outubro, revelou hoje o grupo editorial Leya.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A edição de "Asterix na Lhusitánia" chegou a ser anunciada para fevereiro deste ano, mas acabou por ser confirmada para a `rentrée` literária do outono da editora Asa.

"Asterix na Lhusitánia" juntar-se-á a outros volumes das aventuras dos dois gauleses -- Astérix e Obélix - já traduzidos para mirandês como "La Spadanha Branca" (2024), "Asterix an Eitália (2017) e "Asterix l Goulés" (2005).

O mirandês é uma língua oficial de Portugal que tem sido transmitida oralmente ao longo dos séculos, desconhecendo-se com exatidão o número de falantes deste idioma com o estatuto de ameaçada, que tem como berço a chamada Terra de Miranda.

A primeira proposta de tradução das aventuras do pequeno gaulês para língua mirandesa data de 2001, ano em que se assinalavam os 40 anos da publicação do herói criado por René Goscinny e Albert Uderzo.

Quando foi lançada a edição de "La Spadanha Branca" ("O Lírio Branco"), o tradutor Carlos Ferreira explicou à agência Lusa que as traduções para mirandês são "feitas com pinças": "Temos uma tradução dos textos muito apurada dentro do universo do Astérix que é muito gaulês, quer do ponto de vista histórico quer da atual sociedade francesa. É preciso muita imaginação e conhecimento para trazer todas as emoções para a língua e sociedade mirandesa".

Segundo Carlos Ferreira, "estas traduções não são livres": "Tem de haver muito rigor (...) Cada regionalismo que colocamos no conto, temos de o explicar [aos autores]".

"Astérix na Lusitânia" foi lançado em outubro de 2025 e é o 41.º álbum de uma das mais conhecidas e vendidas séries de banda desenhada, originalmente assinadas por René Goscinny e Albert Uderzo, e que atualmente tem continuidade com os autores Fabcaro, nome artístico de Fabrice Caro (argumento), e Didider Conrad (desenho).

Em entrevista à agência Lusa em Paris, em outubro, o argumentista Fabcaro explicou que o livro é "uma homenagem à cultura lusitana, à saudade".

"Eu queria um álbum ao lado do mar, num país do Sul, com água, sol, luz bonita, fachadas coloridas. Um álbum que me desse vontade de ir de férias, então Portugal foi perfeito", acrescentou.

O livro aborda ainda vários estereótipos, com referências a fado, bacalhau, calçada, azulejo e vinho, sempre com o humor característico das personagens, que o autor espera "não conter erros" e agradar a todos, mas principalmente aos leitores portugueses.

"Astérix na Lusitânia" teve uma tiragem mundial de cinco milhões de exemplares em 25 países e 19 línguas. A procura pelo livro nas primeiras semanas de venda em Portugal levou a editora a produzir, na altura, pelo menos 150.000 exemplares.

Dentro do universo criativo de Astérix e Obélix, a Leya vai publicar em novembro "A Travessia de Lutécia", de L. d`Andréa, Clerc, Serrano (texto) e Fenech (ilustração), centrado no cão Ideafix, e em dezembro o livro "O reino da Núbia", de Olivier Gay (texto) e Fabrice Tarrin (desenhos), que se inspira no filme de animação homónimo a estrear em Portugal a 3 de dezembro.

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