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Beatriz Batarda sozinha em palco em "De Homem para Homem"

Beatriz Batarda sozinha em palco em "De Homem para Homem"

Porto, 18 Dez (Lusa) - A Arena Ensemble e a Culturgest apresentam, sexta-feira e sábado, no Teatro Nacional de S. João (TNSJ), o espectáculo "De Homem para Homem", uma encenação do espanhol Carlos Aladro, com Beatriz Batarda na única personagem.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Esta produção é baseada na obra "Jacke wie Hose" (1982), do dramaturgo e actor alemão Manfred Karge, nascido em 1938 em Berlim e crescido na Alemanha de Leste, com tradução e dramaturgia de Vera San Payo de Lemos e da própria Beatriz Batarda, cenário de Manuel Aires Mateus e música de Pedro Moreira.

O texto de Karge conta a história desta mulher ao longo de quase 50 anos, que percorre também a História da Alemanha dos anos 30 até ao início dos anos 80.

A actriz estará sozinha durante todo o espectáculo, desempenhando o papel de Ella, numa história que Manfred Karge diz ter sido inspirada num caso verídica.

Disse o dramaturgo que "numa altura qualquer, num sítio qualquer, alguém" lhe contou a história verídica de uma jovem mulher que, no tempo da crise de 1929, tentara manter o emprego do marido falecido, assumindo a sua identidade e que foi desmascarada por uma notícia de jornal.

O texto, diz Beatriz Batarda, é um "monólogo para uma actriz em forma de conto poético e político que atravessa 50 anos da História da Alemanha, entre os anos 30 e os anos 80, ao longo da vida de Ella".

Ella é uma jovem de origem humilde que não consegue arranjar emprego e casa com um homem mais velho para poder ter um tecto e comer.

Quando Ella descobre que a ciática de Max é afinal cancro, decide juntar toda a informação necessária sobre o trabalho do seu marido.

Na sua morte, é Ella Gerricke quem é "enterrada", assumindo o seu lugar, ou seja, torna-se numa mulher que perde a identidade e se dedica a sobreviver a qualquer preço, o que na realidade consegue fazer durante 12 anos.

No título alemão "Jacke wie Hose" [que se traduz literalmente como "o casaco é como as calças"], Karge não só condensa o gesto fundador do disfarce - o casaco (da mulher) é como as calças (do homem) - mas cita também expressões coloquiais que significam "não faz diferença", "tanto faz", "tanto pode ser uma coisa como outra", "vai dar ao mesmo", "é-me igual", "é-me indiferente", ou "tanto se me dá como se me deu".

Ilustra assim a atitude de Ella Gerricke, que assume não apenas a identidade do condutor de grua Max Gerricke para conservar o emprego, mas muitas outras coisas.

São "26 quadros que percorrem anos de recessão, a chegada de Hitler, a Segunda Grande Guerra, o pós-guerra, a divisão do território alemão entre os aliados, o renascimento da Alemanha Ocidental, chegando até aos anos 80, mesmo antes da queda do Muro de Berlim e que relatam a vida trágica de Ella, uma mulher que para sobreviver teve que mentir, traficar, matar, prostituir-se, roubar, diluindo-se na perda da sua identidade, da sua dignidade humana", diz Beatriz Batarda.

Com o título "Max Gerricke, nem uma coisa nem outra", o monólogo de Karge foi apresentado pela primeira vez em Portugal em 2002, numa produção do Teatro da Rainha, com tradução de Aires Graça, encenação de Fernando Mora Ramos e interpretação de Isabel Lopes.

Beatriz Batarda conheceu o texto em inglês, num espectáculo visto em Londres, com Tilda Swinton como Ella/Max.

Com o título "Man to Man", viria a ser adaptada ao cinema em 1991, por John Maybury.

A peça foi estreada a 11 de Setembro último no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa. O encenador espanhol Carlos Aladro já dirigiu, em 2007, Beatriz Batarda e Luís Miguel Cintra, em "O Construtor Solness", de Henrik Ibsen.


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