Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra comemora 500 anos de atividade
Coimbra, 25 jan (Lusa) - A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), considerada "a mais rica biblioteca universitária" do mundo lusófono, vai assinalar 500 anos de existência com um programa a divulgar na segunda-feira, anunciou hoje a instituição.
"Apesar de não se conhecer nenhum documento oficial atestando a fundação da biblioteca, a existência da Casa da Livraria é expressamente referida numa ata de 12 de fevereiro de 1513", refere uma nota da assessoria da Universidade de Coimbra.
Essa ata inclui "uma determinação do reitor para que se fizessem obras no respetivo edifício", adianta, concluindo que, "nesse sentido, pode afirmar-se que a BGUC se situa numa linha de continuidade que tem, pelo menos, cinco séculos".
O programa comemorativo "vasto e diversificado", que arranca em fevereiro e se prolonga por um ano, será apresentado em conferência de imprensa a realizar na segunda-feira, às 12:00, no edifício da Biblioteca Geral.
"A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra é a maior e a mais rica biblioteca universitária de todo o mundo lusófono, repartindo-se atualmente por dois edifícios: a Biblioteca Joanina, acabada de construir em 1728, e o edifício principal, que entrou em funcionamento pleno no ano de 1962", afirma o diretor da BGUC, José Augusto Cardoso Bernardes, na página da instituição na Internet.
A BGU "tem à sua guarda um vasto acervo, composto por documentos de vário tipo, como manuscritos, mapas, publicações periódicas e livros, alguns dos quais de valor inestimável, num cômputo geral que se aproxima rapidamente dos dois milhões", segundo José Augusto Bernardes.
"Já antes da transferência definitiva" da Universidade portuguesa, de Lisboa para Coimbra, em 1537, por decisão do rei D. João III, "encontra-se provas documentais de uma Livraria do Estudo, com funcionamento regulamentado pelos vários estatutos, determinando mesmo, os de 1591 e de 1597, que tal funcionamento se adequasse ao caráter de livraria pública".
No século XX, no âmbito das obras da cidade universitária, "deu-se prioridade à adaptação das instalações da antiga Faculdade de Letras a uma nova biblioteca", que iniciou a atividade em 1962.
"O benefício do depósito legal, que detém desde 1932, bem como aquisições, doações e incorporações várias, trouxeram-lhe um progressivo e vultuoso crescimento", lê-se no portal da Universidade de Coimbra.
A Biblioteca Geral reparte-se pelo novo edifício e pela Biblioteca Joanina, erguida por iniciativa de D. João V, monumento nacional cuja riqueza arquitetónica e decorativa beneficiou do ouro do Brasil que chegava a Portugal no século XVII.
O edifício joanino alberga "um riquíssimo conjunto bibliográfico" constituído por obras impressas do século XVI aos finais do século XVIII.