Biblioteca Nacional recebe em doação manuscrito de canto litúrgico
Lisboa, 13 out (Lusa) -- Um manuscrito de canto litúrgico da segunda metade do século XVI - um gradual iluminado de origem portuguesa - foi doado à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) por uma colecionadora norte-americana e é apresentado na terça-feira, informou a instituição.
A cerimónia de apresentação pública do gradual, pelo musicólogo Manuel Pedro Ferreira, está agendada para as 18:30 na sala do conselho da BNP, em Lisboa, com a presença da doadora, Susan Weil, bibliófila e filantropa.
O gradual é "livro de canto litúrgico que reúne todos os cânticos para o Próprio da Missa (textos que mudam diariamente ou sazonalmente) e, em muitos casos, os do Ordinário (conjunto de textos geralmente invariável, variando a melodia dos cânticos)", informa a BNP.
Segundo a mesma fonte, o documento, que passa a fazer parte do espólio da BNP, "poderá ter feito parte de um conjunto original de dois ou três livros, que incluiria os volumes para o Próprio dos Santos (com os cânticos das festas de santos especiais que ocorrem em datas específicas) e para o Comum dos Santos (cânticos para santos ou grupos de santos para os quais não há ritos comemorativos especiais ou festas fixas no Santoral)".
A obra, explica a BNP em comunicado, "contém apenas os textos das rubricas musicais, sem notação, com a presença de algumas notas e comentários marginais em português, o que, juntamente com os seus elementos decorativos e as alterações dentro do manuscrito, nos dão o testemunho do seu uso em Portugal e da sua adaptação às normas após o Concílio de Trento (1545-1563)".
Um dos exemplos dado é na página 195: "a sequência `Victimae paschali` tem vários versos apagados, e uma rubrica em português (aparentemente a única em vernáculo, escrita a tinta vermelha como as rubricas latinas, mas por mão diferente) afirma que o verso Nobis Dic Maria é cantado apenas uma vez".
A BNP salienta ainda que o facto de, na página 90, haver uma "representação de São Vicente venerado como o santo padroeiro da cidade de Lisboa".
"Elegantemente decoradas, a tinta vermelha e púrpura, as margens estão cheias de vida com um bestiário animado, numa grande variedade de fauna e flora", refere a BNP.
"As frequentes referências e alusões à Ordem de São Francisco e ao próprio santo, na ornamentação e iconografia de algumas das iniciais historiadas, indicam a origem franciscana: São Francisco é frequentemente representado e a maravilhosa variedade de aves nas margens faz alusão à famosa história de São Francisco e os pássaros", argumenta a BNP.
Na página 111, é atribuído um verso "a Sorores Due" (para interpretação por duas irmãs), o que sugere que foi copiado para uma congregação de freiras franciscanas, acrescenta a BNP.Lusa/Fim