Biografia da última czarina russa revela aspectos inéditos de Alexandra

O livro "Alexandra, a última czarina russa" da historiadora Carolly Erickson que esta semana chega às livrarias portuguesas, procura revelar aspectos menos conhecidos da "imperatriz que os russos culpam da queda dos Romanov".

Agência LUSA /

A historiadora afirma ter procurado para além da "personalidade teimosa, rígida e romântica" que "continua a iludir uma descrição" da maioria das investigações históricas.

A "força de vontade", a "fraqueza do seu coração", "a sua sensibilidade" e "a luta para atingir a perfeição" são características de Alexandra, evidenciadas pela autora que refere também a sua "progressiva dependência do oculto" que a levaria a procurar vários mentores espirituais e até charlatães, entre eles o mais conhecido foi Rasputine.

"Alexandra, a última czarina russa", com a chancela da Alêtheia Editores, é também uma narração de espaços e vivências de opulência num período particularmente conturbado para as monarquias europeias muito marcado pelos bombistas anarquistas.

A narração começa no Principado de Hesse (Alemanha) onde a neta da Rainha Vitória, Alexandra, nasceu.

A princesa perdeu a mãe, Alice, vítima de tifo, aos seis anos, tendo sido educada pela baronesa de Gramcy que lhe ensinou que "uma pessoa nunca deve vacilar, nunca deve baixar a guarda, nunca deve descontrair-se", escreve Erickson.

O futuro de Alexandra estava desde logo previsto, seria uma das "noivas" que reforçaria as alianças internacionais, nomeadamente na perspectiva da sua avó, a Rainha Vitoria, tendo em vista a manutenção da supremacia britânica no globo.

Nesta época a "union jack" flutuava ou fazia sentir a sua influência em mais de metade do globo.

Alexandra apesar da pouca valia do Principado de Hesse na estratégia internacional da época tinha ligações familiares, nomeadamente a sua tia, casada com o herdeiro da coroa imperial alemã, e o tio Eduardo que se tornaria Eduardo VII de Inglaterra.

A narrativa histórica de Carolly Erickson entrecruza-se com a técnica do romance e a par e passo vai acompanhando os diferentes cenários do crescimento da princesa, assim como as personagens com que convive.

A historiadora defende que Alexandra revelou grande capacidade de decisão para "travar uma longa luta para casar com o homem que amava", Nicolau, o herdeiro dos Romanov e do trono russo.

A historiadora traça o retrato de uma mulher "sempre elogiada pela sua beleza" que "correspondia aos cânones da época" mas que foi "incompreendida pelos russos" que só em Julho de 1998, quando os seus restos mortais foram sepultados foi "venerada como um símbolo nacional".

Para a autora "na morte, Alexandra encontrou finalmente a honra" e hoje os seus objectos pessoais como o terço de madeira de ciprestes, a cadeira de rodas que usou, ou frascos de perfume inglês e os vestidos "tornaram-se objectos venerados".

Os restos mortais da czarina encontram-se na cripta da capela de Santa Catarina, na fortaleza de Pedro e Paulo em São Petersburgo, juntamente com o marido, o czar Nicolau II, e as filhas Olga, Tatiana e Anastácia.

Os corpos dos outros filhos, Maria e o príncipe herdeiro Alexandre, não foram encontrados.

A família imperial russa foi executada a 17 de Julho de 1918 pelas tropas do novo regime político.

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