Blasted Mechanism à procura da espiritualidade em "Avatara"

Os portugueses Blasted Mechanism, que editam este mês o álbum "Avatara", renovaram a imagem e o espectáculo, mas mantêm desde há dez anos a mesma procura de uma "espiritualidade", revelaram em entrevista à agência Lusa.

Agência LUSA /

Com lançamento previsto para dia 21 através da Universal, "Avatara" é uma continuação da mensagem do álbum anterior, "Namaste", de respeito pela "divindade dentro do indivíduo".

A coerência na mensagem estende-se à coesão sonora das músicas em relação aos restantes trabalhos, embora "este disco espelhe uma certa maturidade da banda, em que o público já identifica a sonoridade dos Blasted", afirmou Karkov, o vocalista.

Tal como em "Namaste", em "Avatara" há celebração e euforia, há colagens sonoras a partir da música árabe, do dub ou do rock industrial, mas nota-se "menos electrónica e mais espontaneidade".

"Passámos para um modo de composição mais orgânico, mais humano e espontâneo, em que os músicos se encontraram realmente para compor", descreveu o líder da banda.

"Avatara" apresenta ainda uma formação dos Blasted Mechanism alargada a mais músicos, que têm andado com a banda na estrada.

A Karkov, Ary (baixo) e Valdjiu (bambuleco) juntam-se Sync (bateria), Zymon (guitarra) e Winga (percussão) e, no disco, alarga-se consideravelmente o leque de instrumentos utilizados, dos eléctricos aos menos convencionais.

Para "Avatara", os Blasted Mechanism convidaram ainda a cantora Maria João, o grupo hip hop Dealema e o DJ Nelassassin, "três elementos catalizadores de música e três escolhas óbvias para entrarem no disco", explicou Ary, o baixista.

Maria João dá um cunho tribal e africano a "Power On" e "Pink Huricane", os Dealema deixam a marca em português em "Hand Full of Nothing" e o DJ Nelassassin entra em "Blasted Empire", o primeiro single do álbum.

A antecipar a edição de "Avatara", a banda está a preparar seis concertos entre terça-feira e o dia 21 em Faro, Évora, Coimbra, Porto, Viseu e Lisboa, onde revelará um novo espectáculo e uma nova imagem, desenhada por um designer mexicano radicado em Portugal.

Sem revelarem a identidade, os elementos dos Blasted Mechanism sempre se apresentaram em palco com máscaras futuristas, espaciais, alienígenas, e com um aparato cénico que potencia e reforça a música.

Segundo Karkov, "os espectáculos são sempre grandes viagens e dão a perceber, através do lado visual, o universo sónico dos Blasted Mechanism".

Ao fim de uma década de carreira, é com "Avatara" que a banda também quer apostar na internacionalização.

O álbum teve uma primeira apresentação, em início de Fevereiro, na Suíça e na Alemanha e a banda tem já assinado um contrato de distribuição que, até ao final do ano ou princípio de 2006, levará o trabalho a cerca de 40 países.

"O `Avatara` pareceu-nos mais promissor e coerente em termos musicais para quem não conhece a banda", defendeu Ary.

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