Bossa nova é mais respeitada fora do Brasil, afirma Rosa Passos

Lisboa, 02 Jul (Lusa) - A cantora brasileira Rosa Passos, que sexta-feira inicia uma digressão por Portugal, afirmou à agência Lusa que "a bossa nova, a celebrar 50 anos, é mais divulgada e respeitada no exterior que no Brasil".

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"Eu não preciso comemorar a bossa nova pois eu estou na bossa nova, agora no Brasil nunca teve um destaque como acontece no exterior. Aqui foi sempre vista como uma coisa passada, que ficou pela década de 1970. Agora nunca vi tanta animação como agora com estas comemorações", disse a cantora.

"Mas as coisas estão mudando, e as pessoas estão prestando mais atenção, até com tudo o que se tem feito no exterior, o Carnegie Hall dedicando muito da sua programação à bossa, e outros palcos importantes na Europa, e os mais novos procurando conhecer e saber", acrescentou.

Rosa Passos actua sexta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com a sua banda, para apresentar o seu mais recente álbum, "Romance".

"Em `Romance` canto coisas muito antigas a que dou o meu jeitinho, faço minha criação, dou sempre um tom jazzístico, sem nunca esquecer a bossa nova", disse.

Em Lisboa Rosa Passos tem como convidado especial Alexandre Leão, com quem interpretará dois temas.

"Se a crítica me chama de João Gilberto de saias, há quem diga que o Alexandre sou eu na versão masculina, e assim a tradição musical vai passando e se recriando", disse.

A cantora manifestou-se "particularmente empenhada" nesta digressão, que a levará ainda ao Funchal, Aveiro, Caldas da Rainha, Coimbra e Tavira.

"À excepção de Lisboa, nunca cantei em nenhuma dessas cidades e estou particularmente empenhada", afirmou.

A cantora, que gravou com Rodrigo Leão o álbum "Cinema", atribuiu ao músico o interesse dos portugueses pela sua carreira.

"Foi o Rodrigo Leão que me botou na cara do golo", afirmou.

De Portugal, além de Rodrigo Leão, conhece e aprecia o grupo Madredeus e gosta "muito" de fado, especialmente Amália Rodrigues.

Depois de Lisboa, Rosa Passos actua sábado no Funchal, na Quinta da Magnólia, no âmbito do Festival de Jazz local, e no dia 09 em Aveiro, no Teatro Aveirense.

Com a artista viajam Fábio Torres (piano), Celso Almeida (bateria) e Paulo Pauleli (baixista).

No dia 10, Rosa Passos estará no Theatro Circo em Braga e no dia seguinte no novo Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, e no dia 14 em Coimbra, no Jardim da Sereia, num espectáculo inserido nas Festas da Cidade.

De Coimbra viaja até Espanha, para actuar em Cartagena no Festival Musicas de La Mar, dia 14, regressando a território português dia 18 para cantar em Tavira, na Fábrica Balsense, onde encerra a sua digressão em Portugal.

Rosa Passos, nascida em Abril de 1952, estreou-se em 1979 com o álbum "Recriação", mas já aos 15 anos tinha chamado a atenção ao obter o primeiro lugar no Festival da Universidade da Baía com o tema "Mutilados".

O segundo trabalho de Rosa Passos, "Curare", surgiu apenas em 1991, com melodias de Jobim, Ary Barroso, Carlos Lyra e Johnny Alf, entre outros.

Em 1993 editou "Festa" e três anos depois o álbum "Pano p`ra manga", em que as composições de Rosa surgem ao lado das de Fernando Oliveira, compositor com quem já tinha colabora. Este ano editou "Romance".

Em Maio último, a cantora foi distinguida pela Universidade de Berkeley (Califórnia) com um doutoramento honoris causa.

"Para mim [esta distinção] está ao mesmo nível do meu concerto no Carnegie Hall só com guitarra. Esta distinção da Berkeley me deixou muito emocionada. Vou receber esse diploma no sábado e vai haver uma cerimónia com os alunos cantando para mim. Eu sinto isso como uma coisa mágica", disse a cantora à Lusa.

Gary Giddins, da revista New Yorker, escreveu no final do ano passado sobre a voz de Rosa: "Embora os seus discos sejam muito bons, Rosa Passos pertence àquela tribo de artistas que fazem o seu melhor trabalho ao vivo. Quer murmure ou grite, a sua entoação é seguramente sólida".

NL.

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