Brasil acolhe a maior exposição de sempre do Museu do Azulejo, realizada no estrangeiro
Lisboa, 01 Abr (Lusa) - A maior mostra apresentada pelo Museu Nacional do Azulejo (MNA) fora de Portugal abre em S. Paulo (Brasil) na próxima segunda-feira.
"Trata-se da maior exposição realizada no estrangeiro desde sempre, num total de 136 peças, constituindo uma mostra exaustiva do acervo do museu, com uma particular atenção ao período contemporâneo", disse à Lusa fonte do MNA.
Na Galeria de Arte da Federação das Indústrias do Estado de S. Paulo serão mostrados azulejos, painéis, projectos para fachadas ou estações de metropolitano e cerâmica tridimensional que é um complemento da indústria azulejar.
Entre as peças tridimensionais estarão expostas algumas da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro que desenvolveu muito esta indústria na região das Caldas da Rainha, na segunda metade do século XIX.
A mostra, realizada a convite da federação paulista, "é uma visão panorâmica da evolução da arte do azulejo português do século XVI até à actualidade, desde o fabrico das olarias seiscentistas até ao trabalho de autores contemporâneos".
Raul Lino, Maria Keil, Eduardo Nery, Manuel Cargaleiro, Ernesto Canto da Maia, Jorge Barradas e Bela Silva são os artistas contemporâneos representados na mostra.
Um projecto em Arte Nova, para a fachada de um edifício, de Alfredo Pinto, datado de 1911, é o primeiro representante do século XX, disse a mesma fonte.
A peça mais antiga da exposição é um painel policromado reproduzindo o brasão de D. Jaime de Bragança, que data de 1510.
"A par da perspectiva histórica, há nesta exposição a preocupação de referenciar a produção industrial actual e evidenciar esta vertente económica", disse.
Outra área referenciada é a ligação dos artistas às fábricas, merecendo especial destaque a Fábrica da Viúva Lamego, Sacavém e a Secla, que funciona nas Caldas da Rainha.
As mais recentes exposições do museu fora do país decorreram em Madrid e em Salamanca, em 2005, e em Genebra, em 2004.
Utilizado em diversos países, foi em Portugal que o azulejo assumiu especial importância como elemento decorativo.
A partir do século XIX dá-se a padronagem industrial do azulejo para revestir várias fachadas.
A sua utilização estendeu-se ao Brasil, "país onde permanecem aplicados alguns dos mais importantes exemplares da azulejaria portuguesa, nomeadamente da primeira metade do século XVIII", esclareceu a mesma fonte.
NL.
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