"Breve história do fascismo italiano" de De Felice sai na próxima semana
Os últimos escritos do historiador Renzo De Felice, sobre o fascismo italiano, são editados na próxima semana, sob a chancela da Casa das Letras na sua colecção "Biblioteca da História", dirigida por Fernando Rosas.
"Breve História do fascismo. Uma síntese da página mais trágica do século XX italiano" é o título do livro que traz a lume os últimos escritos de De Felice, destinados a uma série documental cinematográfica sobre a Itália do século XX, realizada pelo Instituto Luce.
O historiador Cláudio Siniscalchi salienta, na introdução, que, devido ao facto de ser para um documentário cinematográfico, a escrita de De Felice surge "extremamente mais ágil se comparada com as páginas densas da sua obra-prima, a biografia de Mussolini".
Este livro, editado pela Casa das Letras (ex-Editorial Notícias), divide-se em três ensaios: a "breve história do fascismo italiano" propriamente dita, "O problema da identidade nacional", facto muito em voga na década de 1990 em Itália, e "Da herança de Adua à intervenção".
No primeiro são abordados desde "os primeiros tempos da vida de Mussolini" à construção do "Estado totalitário", como interagiram fascismo e nazismo, a intervenção na II Grande Guerra e, finalmente, "Salò e a guerra civil".
A análise de Renzo De Felice não é apenas sobre os acontecimentos emblemáticos do fascismo transalpino, como a "Marcha sobre Roma" ou a constituição da "República de Salò", mas também sobre as maneiras como, de forma subtil ou até brutal, se foi dando a fascização do quotidiano italiano.
Este ensaio ocupa a maior parte da obra, reservando-se ao texto sobre a identidade italiana pouco mais que dez páginas e outras tantas ao terceiro, que, cronologicamente, vai de 1866, quando a Itália se alia à Prússia contra a Áustria, até princípios do século XX.
Relativamente à identidade nacional italiana, De Felice afirma que esta sempre manifestou no seu interior "uma fraqueza íntima" que é a que "no fundo, o sentimento nacional é uma prerrogativa para uma minoria, no plano político e cultural".
Segundo afirma o historiador, a nação italiana "nasce, une-se, progride, mas por infelicidade sua, não consegue reconhecer totalmente a sua própria identidade".
Em Portugal foram já editadas outras obras do historiador italiano, nomeadamente, "Explicar o Fascismo" (1976).
Renzo de Felice faleceu em sua casa, em Roma, em 1996.