Bryson no Trilho dos Apalaches

A aventura de Bill Bryson e Stephen Kats em «Por Aqui e Por Ali» retrata um outro tipo de heróis: pessoas comuns e urbanas que se esfalfam para subir um monte, que ficam histéricas com os animais selvagens, que têm horror a insectos e a ursos...

RTP /
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De regresso à América depois de passar 20 anos em Inglaterra, Bill Bryson decide que a melhor maneira de se familiarizar com a terra natal é percorrer o longo trilho dos Apalaches: três mil quilómetros a pé, do norte da Georgia até ao Monte Katahdin no Maine.

O seu companheiro de viagem, Stephen Kats, é comilão e desorganizado, e insiste em fazer desvios na direcção de restaurantes acolhedores.

Kats e a estranha galeria de personagens que os dois amigos encontram pelo caminho são alvos gloriosos do humor de Bryson, que aproveita a ocasião para discorrer sobre a história fascinante do trilho e dos seus fundadores, denunciar casos inacreditáveis de destruição ecológica e os estragos causados pelo turismo e mover um apelo à conservação do último grande reduto de natureza selvagem na América.

Aventura, comédia e celebração, «Por Aqui e Por Ali» está destinado a ser um clássico moderno da Literatura de Viagens.

Há muitos livros sobre exploradores destemidos que escalam montanhas, atravessam oceanos, enfrentam intempéries e sofrem experiências traumáticas.

Bryson e Kats partem de Amicalola Falls State Park munidos dos guias oficiais do Trilho dos Apalaches: 11 livros e 59 mapas, que se afiguram "monumentalmente inúteis".

Percorrer a pé o mais longo trilho do mundo é um esforço sobre-humano para o autor, que tem o hábito de estar sentado, e um suplício para o seu amigo, que há muito já não está em forma e adora fast-food.

A desistência é um padrão nesta viagem em que Bryson e Kats testam a sua auto-confiança e procuram inspiração nas histórias dos fundadores do trilho e dos viajantes que nele se tornaram célebres.

Bill Bryson vive das viagens que faz e do relato dessas viagens. Em O Continente Perdido refez as suas viagens da infância; em “Nem Aqui nem Ali” voltou a percorrer o caminho que fizera quando jovem ao longo da Europa.

Quando decidiu regressar à América, fez uma viagem de despedida pela Inglaterra rural e escreveu "Crónicas de uma pequena Ilha". Em “Por Aqui e Por Ali”, Bryson aventura-se num novo tema: a floresta americana.

Um livro para aqueles que amam a natureza selvagem, embora não resistam aos prazeres da civilização.

BILL BRYSON nasceu em Des Moines, Iowa, em 1951. Instalou-se em Inglaterra em 1977, e viveu muitos anos com a mulher inglesa e os quatro filhos em North Yorkshire. Agora vive com a família na America. É o autor de "Breve História de Quase Tudo", "Nem Aqui nem Ali", "Na Terra dos Cangurus", "Diário Africano", "Crónicas de uma pequena Ilha".

O Appalachian Trail, ou simplesmente AT como é designado nos Estados Unidos, é o maior trilho demarcado para trekking do mundo, atravessando 11 estados americanos, desde a Georgia até o Maine, e coleccionando ao longo dos seus 3.380 km de extensão uma infinidade de florestas, lagos, rios, montanhas, pequenos vilarejos, vida selvagem e um surpreendente potencial para a aventura em plena natureza.

Idealizado no ano de 1921, sem seguir qualquer caminho histórico anterior, o Trilho dos Apalaches foi inteiramente sinalizado, incluindo no seu roteiro alguns dos mais belos parques nacionais americanos e contando com inúmeras estruturas de apoio exclusivas para os caminhantes, entre as quais abrigos e um organismo encarregado de zelar pela sua preservação.

Em média, pode ser percorrido em 6 meses a pé, glória que apenas uma pequena parte daqueles que aceitam este desafio conseguem alcançar, o que não impede que muitas pessoas o percorram por partes, completando-o depois de sucessivos anos de caminhadas.

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