Bússola portuguesa do século XVIII vendida em Londres por 30 mil euros

Londres, 23 Abr (Lusa) - Uma bússola portuguesa rara do século XVIII foi hoje vendida em leilão em Londres por 30 mil euros euros, disse à agência Lusa fonte da leiloeira Christie`s, que considerou o objecto a estrela da sessão.

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A licitação final, por um coleccionador não identificado, foi de 30.454 euros, precisou uma porta-voz da leiloeira britânica, que tinha tinha estimado o valor da bússola entre 25 mil e 37,5 mil euros.

A raridade do instrumento, datado de 1755 e fabricado pelo artesão lisboeta Manoel Ferreira, ditou que fosse considerara a "estrela" do leilão de hoje e esteve exposta num armário próprio.

Um perito da Christie`s, James Hyslop, disse à Lusa que foi a primeira vez que um objecto semelhante surgiu para venda e que esta era a "única oportunidade" de adquiri-la.

A bússola está decorada com motivos florais em vermelho, verde, azul, amarelo e dourado e tem as armas da Coroa Portuguesa como indicador do Norte e encontra-se numa caixa de madeira de mogno e tampa de vidro, com as dimensões aproximadas de 25x25x16 cm.

Exemplares do mesmo tipo podem encontrar-se no Musée de la Marine, em Paris, também da autoria de Manoel Ferreira, e no Whipple Museum, em Cambridge, de Joseph da Costa Miranda, mas são raros.

"Normalmente não sobrevivem. Estavam [instaladas] em navios e iam ao fundo com eles", justifica James Hyslop.

Este tipo de bússolas foram instrumentos de navegação desenvolvidos no século XVI e usados pelos marinheiros portugueses.

Continuaram a ser usados nos dois séculos seguintes, mas no século XVIII alguns artesãos portugueses começaram a produzir modelos mais ornamentados

Na bússola hoje vendida está inscrito um nome aparentemente holandês e várias datas do século XIX, mas James Hyslop não conseguiu traçar a história dos seus donos, estando convencido que foi feita por encomenda para alguém com dinheiro.

"Se o capitão do navio era rico, então podia encomendar algo tão ornamentado e foi talvez por isso que as pessoas reconheceram o seu valor como obra de arte que merecia ser salva", sublinha.

É também certo que, apesar do seu valor decorativo, foi usada no mar alto porque tem "pingas de cera que os marinheiros usaram para equilibrar melhor a agulha da bússola" e assim afinar as indicações de navegação.

"Numa das pingas de cera é mesmo possível ver uma impressão digital de um marinheiro que não deixou a cera arrefecer", acrescenta Hyslop.

Mais recentemente, sabe-se que foi propriedade de Amaral Figueiredo e que esteve exposta no "Salão de Antuiguidades" em 1964, em Lisboa.

BM


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