Câmara de Coimbra dá a conhecer Miguel Torga em percurso de autocarro
Coimbra, 19 ago (Lusa) - A Câmara de Coimbra promove a obra de Miguel Torga, nos autocarros 103 e 4, que fazem o percurso entre o seu antigo consultório, na Portagem, e a sua casa, em Santo António dos Olivais.
"Algumas conhecem Miguel Torga, outras já ouviram falar, poucas leram e ainda menos pessoas sabem que existe a casa-museu do escritor", disse Branca Gonçalves, funcionária da divisão de Ação Cultural da Câmara, no decorrer da iniciativa desenvolvida hoje no autocarro 103, em que a funcionária falava com os passageiros e distribuía-lhes um livro de escrita e informação sobre a casa-museu.
Teresa Ferreira, de 59 anos, natural de Coimbra, já faz o percurso do autocarro 103 "desde sempre" e contou à agência Lusa que chegou a ver o escritor no mesmo autocarro "que apanhava".
Apesar de se ter cruzado com o escritor, pouco conhece de Miguel Torga, pseudónimo do médico Afonso Rocha, e nunca entrou na casa museu do escritor.
Branca Gonçalves reconhece o baixo número de visitantes da Casa-Museu Miguel Torga e aponta para o facto de a casa estar "escondida e recatada, bem à imagem do escritor", como razão para um maior desconhecimento face à mesma.
"A gente está doente dos pés e das pernas, somos velhas, se os novos não vão, não vamos nós", comentou Maria Clara, de 70 anos, a viver em Coimbra "desde pequenina", que, apesar de passar pela placa da casa-museu do escritor todos os dias, nunca a visitou e pouco sabe sobre o mesmo, apenas que "há um instituto com esse nome", referindo-se ao Instituto Superior Miguel Torga.
Patrícia Lino, de 35 anos, que já tinha sido abordada no mês passado, considerou que a iniciativa está mal estruturada "porque não passa nenhum autocarro na casa do escritor".
A passageira do autocarro 103, natural de Coimbra, já leu "Bichos" e "Novos Contos da Montanha", mas afirmou que leu os dois livros de contos do escritor porque foi "obrigada", apesar de reconhecer que, "se Miguel Torga não fosse dado na escola, ninguém o conhecia".
Celeste, de 54 anos, vive na Rua Miguel Torga, já conhecia o escritor e a casa e "talvez agora vá", por causa das suas netas.
Maria, que se senta ao seu lado no autocarro, afirmou à agência Lusa que a iniciativa era "louvável", lembrando apenas que "os santos da casa não fazem milagres".
A funcionária da autarquia, no final da viagem, fazendo um "balanço positivo", contou que tanto encontrou uma estudante licenciada que apenas acha que Miguel Torga "deve ser uma pessoa importante", como uma empregada doméstica que "já tinha lido o `Bichos`" e que até pensa em visitar a casa-museu com os netos, "apesar do preço do bilhete [de 1,7 euros] a poder desincentivar".
A iniciativa da Câmara começou a 27 de maio e termina a 09 de dezembro, sendo que o bilhete do autocarro não terá valor acrescido.