Camelo "Areias" celebra 25 anos com livro e blogue

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Lisboa, 28 Mai (Lusa) - O Areias, o camelo com "duas bossas e muito pêlo" imaginado por Mário Contumélias e cantado por Suzi Paula, celebra 25 anos com um espaço na Internet e um livro onde conta a sua história.

"A Verdadeira História de O Areias", obra escrita pelo Professor universitário Mário Contumélias, ilustrada por Pedro Afonso e editada pela Zéfiro, será lançada na Feira do Livro de Lisboa no domingo, Dia Mundial da Criança.

"Como estou, há alguns anos, desligado da música e mais próximo da escrita, pareceu-me interessante pôr o Areias em livro, contando as suas aventuras", afirmou Mário Contumélias à agência Lusa.

Apesar de a canção já apresentar o camelo como "muito alto e refilão", "engraçado e espertalhão", com "a mania de que é muito elegante" e de "entre todos o mais belo", o livro promete revelar ainda mais aspectos da personalidade do Areias, bem como alguns dos seus segredos.

No livro, o Areias "dá-se bem com os curiosos, aventureiros, investigadores, fazedores e ousados, e vai ao fim do mundo para ajudar alguém ou compreender alguma coisa", segundo a nota de divulgação da Zéfiro.

"Desprendido mas atencioso e interessado", ele é também "um optimista que considera o universo, o planeta, um paraíso em construção e a vida uma história com muitos sentidos e interpretações", lê-se no texto.

"A Verdadeira História de O Areias" inclui outras personagens como o jovem Ali, o mago Abdel, o músico Karim, o feiticeiro Azul Brilhante, o Guerreiro Mutante, a Sereia Encantadora ou o marinheiro Manuel Português.

Descrevendo "O Areias" como um "fenómeno sociológico", Mário Contumélias contou à Lusa que, quando canção foi lançada, "tocava em todo o lado, das escolas aos bares, e ainda hoje é gravada ciclicamente, passa na rádio, na televisão e até existe em `karaoke`".

Uma pesquisa na Net - onde agora está também o Blogue dos Areias, em http://bloguedoareias.blogspot.com - permite ainda encontrar toques para telemóvel com a música (da autoria do belga Jean-Jacques Deboul) e até uma versão com desenhos animados no sítio YouTube (em www.youtube.com/watch?v=Q-qxlILDXsY).

"As minhas netas cantam O Areias e não é por minha causa, é porque aprendem na escola", assegurou Mário Contumélias.

"Havia até quem dissesse `tu és um Areias` quando já não tinha mais argumentos numa discussão ou quem ainda seja alvo de brincadeiras por ter esse apelido", recordou, acrescentando que "no Jardim Zoológico, o camelo era o único animal que tinha um nome".

Apesar de o livro traçar um perfil do popular camelo e contar algumas das suas peripécias, "ainda ficou muito por dizer sobre o Areias", garante Mário Contumélias, que pondera voltar ao tema no futuro.

Por agora, reconhece ter apreciado "a reacção positiva do público mais novo, mais velho e do meio" que viu a promoção ao livro no pavilhão da Zéfiro na Feira do Livro.

Além do novo livro para crianças, o escritor lança, dentro de duas semanas, a antologia "Só as Emoções", com poemas escolhidos dos cinco livros de poesia já editados - "Sou Deste Mar" (1983), "O Ofício das Coisas" (1986), "Vida, Divisão Única" (1988), "Esquerda Baixa" (1991) e "Nem Sempre à Noite" (1997) - e 50 poemas inéditos.

"A selecção dos poemas não obedeceu a critérios de qualidade nem temáticos mas apenas às emoções. Escolhi aqueles poemas que, actualmente, continuam a despertar-me afectos", revelou à Lusa.

Mário Contumélias nasceu em Setúbal, apresenta-se como etno-sociólogo, especializado em Sociologia da Comunicação e lecciona no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), aguardando a defesa da tese de doutoramento no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

Colunista do Jornal de Notícias, foi, durante quase 20 anos, jornalista profissional, exercendo em órgãos como O Século, Diário de Notícias e Correio da Manhã.

Trabalhou também na Agência Noticiosa Portuguesa - ANOP e em publicações como Musicalíssimo e Cinéfilo, foi colunista e membro do conselho editorial do jornal Record e cronista de vários programas da Rádio Comercial e da Antena 1.

Antigo Presidente do Sindicato dos Jornalistas, é membro cooperante da Sociedade Portuguesa de Autores e da Associação Portuguesa de Sociologia.

Entre 1974 e 1984 andou, nas suas próprias palavras, pelo "mundo das cantigas", sendo finalista de nove festivais RTP da canção, de um festival da OTI e vencedor de um "Festival Nova Gente da Canção", além de responsável pelos poemas de dezenas de temas.

Tem 20 livros publicados, dez para o público infanto-juvenil, cinco de poesia, um de entrevistas, uma brochura evocativa do 25 de Abril de 1974 e três romances, estando representado em várias antologias.

Numa entrevista à agência Lusa em Junho de 2005, afirmou que, durante os anos que esteve sem editar, não deixou de escrever ou, como disse, de "escrever e apagar" sempre em busca "do rigor narrativo, assente na simplicidade discursiva e literária", o que considera resultado da "`deformação` em jornalismo".

"Hei-de ser jornalista até morrer e isso nota-se no que escrevo. Tenho a intenção de estabelecer um contacto fácil com o leitor", afirmou à data, adiantando que o jornalismo o ensinou a ser "simples, concreto e conciso".

HSF.


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