Caminho de superação define "Ensaio para uma cartografia" no Teatro D.Maria II

| Cultura

Uma atitude de resistência, coragem e superação faz com que 12 mulheres sem formação musical nem de dança construam um caminho individual e coletivo, na peça "Ensaio para uma cartografia", que se estreia na quinta-feira, em Lisboa.

Com encenação, cenografia e desenho de luz de Mónica Calle e José Miguel Vitorino, como assistente de encenação, a peça, que se estreia no Teatro Nacional D. Maria II, é um trabalho que começou a ser pensado em 2013 quando a encenadora conheceu a bailarina e coreógrafa Luna Andermatt, fundadora da Companhia Nacional de Bailado, e teve consciência do envelhecimento do corpo, como explicou hoje a encenadora à imprensa.

"Depois de ter feito `Os sete pecados mortais`, de [Bertolt] Brecht, e quando já estávamos a mudar as instalações da Casa Conveniente para a Zona J, extrapolámos o caminho daquelas duas irmãs [da peça de Brecht] para uma cartografia mais ampliada, Mas, em 2015, decidi que o caminho não era aquele e então comecei à procura de ensaios de maestros de orquestra e foi assim que, em 2015 e 2016, comecei a trabalhar sobre a dança", explicou Mónica Calle.

A encenadora acrescentou que há um ano começaram "a ir mais longe e a tentar tocar, a tentar aprender a tocar... E foi então que surgiu este espetáculo", observou.

Neste espetáculo, Mónica Calle abdicou da palavra, já que nenhuma das atrizes tem qualquer fala, optando por expoliar a peça de tudo quando seja acessório ou que possa constitui ruído, reduzindo-a assim ao "essencial".

"Também por isso a peça é representada em nu. Porque qualquer roupa que existisse dava origem a que se fizesse uma construção", explicou.

Para a encenadora, esta peça não é uma ideia de um trabalho "que esteja fechado", é sim "uma tentativa para se chegar cada vez mais longe".

"Há um tempo e um caminho e, para que se chegue mais longe, é necessário coragem e superação", frisou.

E é através da coragem e da superação que as 12 atrizes que interpretam a peça conseguem tocar acordes simples nos violinos e violoncelos e dançar em pontas, sem que nenhuma tenha formação musical ou de dança clássica.

O "Bolero" de Ravel -- numa redução do que Maurice Béjart fez para Maya Plisetskaya -- é a música dançada no espetáculo, intervalada com vozes de maestros que vão dando conselhos a músicos durante ensaios de orquestra. Não há mais palavras do que estas ao longo da peça.

A peça de Mónica Calle é também uma forma de a atriz e encenadora "superar as questões financeiras", como a própria confidenciou, ao mesmo tempo que vai "construindo num caminho com as atrizes com que já está habituada a trabalhar".

"E é uma forma de nos religarmos, de religarmos os fragmentos que vamos sendo ou de nos religarmos ao absoluto", sublinhou.

"Ensaio para uma cartografia" é uma produção da Casa Conveniente e Zona Não Vigiada, em coprodução com o Teatro Nacional D. Maria II, e pode ser vista às quartas-feiras, às 19:30, às quintas e aos sábados, às 21:30, e aos domingos, às 16:30, até 09 de abril.

A interpretação é de Ana Água, Carolina Varela, Cleo Tavares, Inês Vaz, Joana de Verona, Marta Félix, Miú Lapin, Mónica Calle, Mónica Garnel, Sílvia Barbeiro, Sofia Dinger e Sofia Vitória.


 

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