"Cantautor" Miguel de Tena espera que reconhecimento dado ao flamenco chegue ao fado

"Cantautor" Miguel de Tena espera que reconhecimento dado ao flamenco chegue ao fado

Madrid, 23 nov (Lusa) - O cantor e autor de flamenco espanhol Miguel de Tena disse hoje estar otimista que o fado possa ser considerado património imaterial da humanidade, destacando a importância desse reconhecimento da UNESCO dado o ano passado à arte andaluza.

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"O reconhecimento [do flamenco] foi muitíssimo importante, depois de tantos anos de história. É um reconhecimento grande, internacional, que espero que o fado também tenha", afirmou à Lusa.

O vencedor deste ano da "Lámpara Minera", o galardão do Festival Internacional de Canto das Minas da União (Múrcia) - o festival de flamenco mais antigo e importante de Espanha - falava à Lusa num momento em que regressa aos palcos espanhóis, depois de uma operação ao nariz.

"O flamenco significa um modo de vida. Canto desde muito pequenito e, para mim, não consigo imaginar a minha vida sem flamenco", afirmou.

Referindo-se à cumplicidade entre os artistas de flamenco e o seu público, criando uma comunidade "crescente e onde há muitos jovens, felizmente", De Tena destaca o facto de a arte começar cada vez mais a ser conhecida além fronteiras.

O reconhecimento como património imaterial da humanidade, concedido ao flamenco pelo comité da UNESCO-Organização das Nações Unidas de Educação, Ciência e Cultura, é importante, mas agora, insiste, há que continuar a apostar na promoção e na defesa do flamenco fora das fronteiras espanholas.

E dá mesmo exemplos de apostas em fusão entre flamenco e fado, citando o caso da reconhecida Família Vargas, de Mérida, que há muito tempo mistura as duas artes ibéricas.

"Em Espanha todos conhecem e sabem o que é o flamenco e a sua arte. Mas é mais importante para o resto do mundo. Faz falta mais promoção, conseguir que mais artistas tenham contratos para atuar em todo o mundo", disse.

Apesar da sua vertente tradicional - alguns especialistas atribuem o flamenco ao resultado da fusão multicultural que foi e continua a ser a Andaluzia - De Tena rejeita que a arte deixe de atrair os mais jovens.

"Claro que atrai. Há muita juventude atraída pelo flamenco e agora, com a internet, há muitas pessoas que têm acesso maior à arte e à vida do flamenco", explicou.

"Eu próprio dou aulas de canto, em Don Benito, próximo de Badajoz, tenho 11 alunos, mas sempre que tenho aulas vêm muitos outros, para ver a arte, para ouvir flamenco e ver as aulas", disse.

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