Cantora espanhola La Shica apresenta em Lisboa "Trabajito de chinos"

Lisboa, 12 Abr (Lusa) - A cantora espanhola La Shica apresenta dia 16 no Cinema S. Jorge, em Lisboa, o seu primeiro álbum, "Trabajito de chinos" que definiu à Lusa como o resultado de "muita música ouvida, sem complexos nem adjectivos".

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O álbum conta com as participações especiais de Miguel Poveda que o ano passado actuou em Lisboa e integra o elenco do filme "Fados" de Carlos Saura, e a de Miguel Campello.

"Foi muito extenuante e trabalhámos todos muito, mas foi gratificante", disse à Lusa a cantora.

Natural de Ceuta (enclave espanhol em Marrocos), La Shica começou como bailarina de flamenco. "Só cantava quando me embebedava", confessou à Lusa, entre risos.

Porém o gosto por cantar vem desde menina e não reconhece a vida sem a música.

"No colégio as minhas colegas no recreio pediam-me sempre para cantar e eu gostava muito, na altura não tinha medo", recordou.

As colegas, carinhosamente, pediam-lhe: "mena, canta la da Marisol", mais tarde "cantava apenas em casa".

Hoje a sua música, disse, reflecte "todo um conjunto de músicas e intérpretes, entre eles, Lola Flores, La Greca, Coco Rossi, Erika Badú e Amália Rodrigues".

"Amália encanta-me, oiço muito e gosto imenso. O fado tem muito a ver com a copla espanhol, são primos irmãos", disse a artista que já esteve duas vezes em Portugal, designadamente no Festival de Músicas de Loulé.

"Não conheço muito a música portuguesa mas sempre ouvi Amália, e toca-me muitíssimo; além do mais todos nós [os seus músicos] gostamos de Portugal, onde se come muito bem", afirmou.

Referindo-se ao álbum que apresentará no São Jorge "Trabajito de Chinos" ("Trabalho de chineses"), La Shica afirmou que o título lhe "agrada muito" pois "os chineses trabalham muito, e no disco todos trabalhámos muitíssimo, e fizémo-lo bem".

La Shica é o nome artístico de Elsa Rovayo, 32 anos, que depois de experimentar o flamenco começou a cantar em vários bares de Madrid, até que surgiu a edição de "Trabajito de chinos".

De cabelo rapado e uma atitude provocante, a imprensa espanhola qualifica-a de "rapera e folclórica", La Shica reconhece que constrói uma personagem, sem que tal posso ser interpretado como uma falsidade ou mentira.

"Uma personagem sim, mas não é uma personagem de mentira, tanto mais que uma pessoa é muitas coisas, e nos palcos está também uma outra parte de mim, talvez a que mais tenho escondido", argumentou.

"Quando me maquilho e vou cantar é real, é uma outra faceta", acrescentou.

Com La Shica estão Fernando La Rua (guitarra flamenca), Pablo Martín (percussão), Miguel Rodrigáñez (contrabaixo), Luis Domerq, autor de todas as letras, e que a cantora se lhe refere como o seu terapeuta, e ainda Guadalupe Torres e La Popi (coros).

"Funcionamos como uma família/trupe, jantamos juntos uma vez por semana, e andamos por aí a cantar e fazemos canções como uma coisa de artesanato", explicou.

Referindo-se a Luis Domerq, autor das letras, afirmou: "Conto-lhe o que necessito expressar e ele aponta tudo como se fosse o meu terapeuta e faz algo, e é extraordinário pois é um homem e consegue vestir a minha pele".

"Através da música vivo muitas coisas e não entendo a vida sem música", rematou.

La Shica assina algumas das composições que interpreta, assim como La Rua. A sua canção favorita é "Dos carnes paralelas" que no disco interpreta com Poveda.

Referindo-se ao espectáculo em Lisboa, La Shica afirmou que será "um espaço de fantasia como todos os concertos devem ser".

"As pessoas quando vão a um concerto necessitam de magia, fantasia, que as pessoas querem sonhar, que julguem ter dias maravilhosos, que esqueçam o quanto têm de trabalhar, as facturas que têm de pagar, o duro que é a sua vida", afirmou.

A cantora declarou que a sua música "é de fusão" na medida em que reflecte o muito que assimilou e que "além do universo musical espanhol da copla, do flamenco e outros, procura as sonoridades do mundo como o jazz, hip-hop e até o fado".

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