Cantos tradicionais do mundo inspiram novo álbum de Pedro Osório
Lisboa, 02 nov (Lusa) -- Japão, Nigéria, Portugal e Vietname foram algumas das "paisagens muiscais" que inspiraram o compositor e maestro Pedro Osório que, no próximo dia 14, editará o álbum "Cantos da Babilónia".
O trabalho levou cerca de três anos, dois anos e meio em experiências e pesquisas a partir da ideia de "compor uma série de peças baseadas em excertos de cantos tradicionais de diversos lugares de todo o mundo", afirmou o maestro.
"As peças seriam fundamentalmente para piano, com uma utilização frugal de instrumentos samplados ou eletrónicos", explicou Pedro Osório.
"Cantos da Babilónia" é composto por dez faixas com duração variável entre os três e os seis minutos.
Sobre cada baixa é referenciada a origem geográfica do canto em que se baseia a música correspondente, nos casos de Espanha e Portugal é concretizada a região, respetivamente, Andaluzia e Beira Baixa.
"Kerekeria" (Nigéria) abre o álbum, o segundo de Pedro Osório, que inclui ainda "As mãos que cantam" (Tailândia), "Da terra se faz a vida" (Portugal), ou "O arame que conta histórias" (Costa Marfim).
"Dagama" foi o primeiro álbum em nome próprio de Pedro Osório, que contou com a participação de Rita Guerra e Paulo de Carvalho.
"Cantos da Babilónia", que sairá com o selo da Valentim de Carvalho, inclui ainda "Mensagem dos espíritos distantes" (Japão), "O beijo do sol" (Quénia), "Dança em sol menor" (Espanha) e "O segredo da terceira visão" (Índia).
Orquestrador, chefe de orquestra, diretor musical, compositor, Pedro Osório trabalhou com vários artistas do panorama nacional, nomeadamente Sérgio Godinho, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Carlos Paredes, Rui Veloso, Carlos Mendes, Herman José, Lúcia Moniz ou Xutos e Pontapés
Figura regular dos Festivais RTP da Canção, que venceu várias vezes como autor e orquestrador, e autor de vários musicais dos casinos Estoril e Póvoa de Varzim, Pedro Osório optou pela carreira musical quando terminava a licenciatura em engenharia mecânica.
Entre outras distinções, em 1982, recebeu o Prémio da Crítica pela composição para a peça "Baal", de Bertolt Brecht.
Foi dirigente do Sindicato Nacional dos Músicos e fez parte da organização do I Congresso Nacional dos Músicos em 2003. De 2003 até janeiro de 2011 foi membro da administração da Sociedade Portuguesa de Autores.
Em 1994, o Presidente da República Mário Soares condecorou-o com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, tendo recebido posteriormente a Medalha de Ouro do Concelho de Oeiras e a de Mérito da Sociedade Portuguesa de Autores.
Este ano, o Ministério da Cultura agraciou-o com a Medalha de Mérito Cultural e o Presidente da República condecorou-o com a comenda da Ordem da Liberdade.
Recentemente Pedro Osório publicou o livro "Memórias irrisórias com algumas glórias". Tem-se dedicado à escrita de obras de música sinfónica das quais algumas foram já executadas em público.