Carlos do Carmo deseja que Grammy Latino seja "uma alegria" para os portugueses

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O fadista Carlos do Carmo recebe, na próxima quinta-feira, o Grammy Latino de Carreira, que espera ser "uma alegria" para os portugueses, que vivem dias difíceis, como disse à Lusa.

"Num momento de sofrimento como o que o meu povo está a viver, e a minha pátria está a viver, a alegria que possa dar às pessoas, apesar da simplicidade que as coisas têm - isto não lhes mata a fome, nem lhes arranja emprego -, mas que possa dar-lhes uma alegria, já fico muito contente", disse o fadista, em declarações à agência Lusa.

O artista, com uma carreira de 51 anos, recordou, a este propósito, uma quadra que cantou, de autoria de um amigo, cujo nome não lhe ocorreu, mas que, quando a escreveu, vivia no Burkina Faso: "Alvorando a minha voz/Cujo coração pediu/Queria que o fado aquecesse/O meu povo que tem frio".

O criador de "Os Putos" vai receber um "Lifetime Achivement Grammy", da Latin Academy of Recording Arts and Sciences (LARAS), que distingue carreiras de referência no panorama musical internacional, no universo latino, sendo o primeiro artista português a receber o prémio de carreira (a soprano Elisabete Matos foi distinguida no segmento da música clássica, nos primeiros Grammy Latinos, em 2000).

O galardão é entregue no próximo dia 20, no MGM Grand Garden Arena em Las Vegas, no Estado norte-americano do Nevada, numa cerimónia que será transmitida em direto, por rádio e televisão, para vários países, e pode ser acompanhada via Internet.

"O `Board of Trustees` da Latin Academy of Recording Arts and Sciences decidiu, por unanimidade, atribuir a Carlos do Carmo o "`Lifetime Achievement Award`, galardão que distingue a obra das grandes referências do panorama musical internacional", indicou a produtora do fadista, em comunicado, quando a atribuição foi divulgada.

Carlos do Carmo, de 74 anos, tem sido distinguido ao longo da carreira com vários galardões, entre os quais o Prémio Goya da Academia de Artes Cinematográficas de Espanha, pela interpretação de "Fado da Saudade" (de Fernando Pinto do Amaral/Fado menor em versículo), no filme "Fados", de Carlos Saura.

A LARAS considerou Carlos do Carmo "um dos maiores fadistas do seu tempo", referindo que é filho da "lendária fadista Lucília do Carmo, que teve um papel importante na sua carreira, que se prolonga há mais de 50 anos".

A academia aponta Carlos do Carmo como uma das "mais emblemáticas vozes da música portuguesa".

O fadista afirmou à Lusa que o texto o comoveu, salientando que a Academia conhecia "muito bem" o que tem "andado a fazer".

No mesmo texto, a LARAS refere que o fado tem sido o "cerne da sua música, mas a sua forma distintiva de interpretar, o seu timbre, e a sua afinidade com a canção francesa e a bossa nova brasileira" permitem-lhe "criar um estilo inconfundível".

Do vasto repertório do fadista, a LARAS cita os fados "Duas lágrimas de orvalho", "Lisboa menina e moça" e "Canoas do Tejo", e discrimina alguns palcos de referência que o fadista pisou, designadamente o Olympia, em Paris, a Alter Oper (Ópera Antiga), em Frankfurt, e o Royal Albert Hall, em Londres.

Carlos do Carmo "desempenhou um papel fundamental na candidatura do fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade através dos seus inúmeros concertos, gravações e a participação, em 2007, no filme `Fados`, de Carlos Saura", lê-se na mesma nota.

Também o cantor brasileiro Ney Matogrosso, a celebrar 40 anos de carreira, irá receber um Grammy Latino de Carreira, nesta 15.ª edição dos galardões.

Ney, de 72 anos, é intérprete de êxitos como "Vereda tropical" e "Homem com H", e atuou várias vezes em Portugal, entre as quais numa homenagem ao compositor Cartola (1908-1980), em 2003, e, em maio passado, com o espetáculo "Atento aos sinais".

Sobre o "Lifetime Achivement Grammy", num comunicado divulgado pela imprensa brasileira, Ney Matogrosso afirma: "Estou muito surpreso mesmo e feliz com esse prémio. Nunca imaginei que a repercussão do meu trabalho chegasse tão longe".

O Grammy Latino de Carreira já distinguiu, entre outros nomes, o brasileiro Roberto Carlos, Mercedes Sosa, Rocío Durcal, Chavela Vargas, Alberto Cortez, Linda Ronstadt, María Dolores Pradera, Toquinho, Hebe Camargo, Juan Carlos Calderón e Luz Casal.

A soprano portuguesa Elisabete Matos recebeu o Grammy Latino pelo melhor álbum de música clássica de 2000, na primeira edição destes prémios, pela gravação de "La Dolores", ópera do compositor espanhol Tomás Bretón, que contou igualmente com as interpretações de Plácido Domingo, Tito Beltrán e do maestro Antoni Ros Marbá.

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