Carnaval na Guiné-Bissau - Maior festa popular sob o lema da globalização
Os guineenses celebram entre hoje e a próxima terça-feira aquela que é a mais importante festa popular, o Carnaval, este ano sob o lema "Valorização da Diversidade Cultural num Mundo Globalizado".
Durante quatro dias, os guineenses estarão num ambiente de festa, sobretudo pelo facto de, este ano, o governo ter decidido organizar concursos carnavalescos em todas as capitais regionais do país.
Os concursos decorrem sábado, em simultâneo nas oitos capitais regionais, estando prevista a vinda dos vencedores a Bissau, onde, na terça-feira decorrerá a grande final nacional.
O presidente da comissão organizadora do Carnaval 2005, Fernando Saldanha, tem-se desdobrado em apelos nos órgãos de comunicação social locais, pedindo aos jovens que façam tudo para demonstrarem a "verdadeira cultura" da Guiné-Bissau.
"Com o Carnaval vamos mostrar ao mundo que somos capazes de promover a reconciliação nacional, a unidade nacional e a paz", no país, salientou Fernando Saldanha.
Inicialmente de cariz urbano e ocidentalizado, o Carnaval guineense, desde a independência (em 1974) a esta data, tem-se distinguido pela originalidade dos foliões, sobretudo pelas danças representativas das diversas etnias que compõem a Guiné-Bissau.
Durante os dias da festa são permitidos todos os "folguedos" entre os mais novos e os mais velhos, com as ruas de Bissau e das capitais regionais a serem os palcos principais dos foliões, que começam a dar largas à sua alegria logo a seguir ao almoço, prolongando a festa até ao raiar do dia seguinte.
O governo, através da secretaria de Estado da Juventude, Cultura e Desportos, tem, com intermitências, organizado os desfiles dos vários grupos que participam no Carnaval "oficial" No último Carnaval organizado pela secretaria de Estado da Juventude, Cultura e Desportos, há três anos, as dançarinas Manjacas, da aldeia de Djeta, arredores de Canchungo, interior norte, foram as grandes vencedoras.
A vitória destas espectaculares dançarinas não ficou a dever-se, na altura, aos trajes, mas sim à sua ausência, surpreendendo tudo e todos ao apresentarem-se apenas com uma reduzida tanga.
Os cantares do dialecto Manjaco (uma das 28 etnias da Guiné-Bissau) e as danças típicas fizeram as delícias de todos os que assistiram aos desfiles carnavalescos em 2003.