Casa de Lafões comemora 100 anos, com dificuldades, mas capacidade de adaptação

Lisboa, 08 out (Lusa) -- A Casa de Lafões comemora no domingo 100 anos, ao longo dos quais se foi adaptando aos novos tempos, ainda que hoje seja "extraordinariamente difícil gerir uma instituição destas", reconheceu o presidente da direção.

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Admitindo que para os fundadores da Casa de Lafões tenha sido "difícil iniciar esta cruzada", Alberto Sousa Figueiredo, atual presidente da direção, realçou à Lusa que dirigir hoje a instituição é "uma questão bastante delicada".

"Os apoios são mínimos, quando há, muitas vezes nem sequer os há", realçou. Todos os anos tentam trazer Lafões a Lisboa -- com "folclore, bandas filarmónicas, artesanato e gastronomia", mas esbarram com "licenças e as burocracias todas" necessárias para se organizar qualquer coisa.

"Se nós, voluntários que somos, nos dispomos a trabalhar para bem do nosso país, da nossa cidade e da nossa região, devíamos ter era alguma compensação disso", contra-argumentou.

A Casa de Lafões tem uma "atividade muito variada", que vai da roda de choro e do forró ao punk, passando pelo tai chi e pela gastronomia, acolhendo ainda lançamento de livros e peças de teatro. "Cada coisa na sua vez, porque a casa é pequena", destacou Alberto Sousa Figueiredo.

Em dia de concerto da Roda de Choro de Lisboa (às terças-feiras, a partir das 22:30), o presidente da direção passeou com a Lusa pela sala dos fundadores, mostrando um espaço que inclui bar, Internet e televisão. "Também se jogam aqui umas cartas e às vezes também se fazem aqui uns petiscos", acrescentou.

Dos antigos bailes, que chegaram a dar em casamentos, já só há memória. "As coisas mudaram, as boîtes começaram a aparecer, as discotecas, etc.", forçando a Casa a "virar-se para outras coisas, porque os bailes não davam", chegando a dar "prejuízo", explicou.

Alberto Sousa Figueiredo queixa-se do abandono da Baixa lisboeta, onde já só restam "casas para alugar, casas devolutas". "O centro da cidade propriamente dito, aqui a Baixa, está praticamente deserto. Está a começar a voltar, mas muito lentamente", considerou.

Aberta a sócios, familiares e amigos, a filosofia da atual direção é que "a casa se não tiver quem a utilize não serve para nada".

Para se ser sócio tem que se ser natural de Lafões, ou conhecer a região, ou ter ligação afetiva com alguém dali originário (através de casamento, por exemplo), ou então para tal ser convidado pela direção.

A Casa de Lafões agrega os concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul.

SBR.

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