Casa-Museu Abel Salazar reabre após seis meses de obras

A Casa-Museu Abel Salazar reabriu hoje ao público em S. Mamede de Infesta, Matosinhos, após seis meses de obras de restauro e na data em que se assinala o Dia Internacional dos Museus.

Agência LUSA /

A reabertura foi marcada pela assinatura de um terceiro protocolo entre a Universidade do Porto e a Câmara de Matosinhos, em que a autarquia renova por um ano o compromisso de cedência de funcionários e actualiza a comparticipação financeira no orçamento da casa-museu.

"Não faria sentido que não aproveitássemos esta oportunidade para potenciar esta casa, sobretudo pelo que ela representa para a cultura", afirmou o presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda.

O autarca considerou "absolutamente decisiva a aposta na cultura", sublinhando que o desenvolvimento do concelho só foi possível com um "investimento forte" nesta área.

A casa onde viveu durante 30 anos o médico, cientista, filósofo, crítico e artista plástico Abel Salazar, nascido em Guimarães em 1889, é propriedade da Universidade do Porto, por doação feita em 1975 pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Após a morte de Abel Salazar, em 1946, um grupo de seus amigos, entre os quais Ruy Luís Gomes, Abade de Baçal, Egas Moniz, Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro, tentou criar uma fundação para preservar a memória e a obra do mestre, mas as autoridades de então nunca permitiram que fosse constituída legalmente.

A Fundação Gulbenkian, na altura dirigida por Azeredo Perdigão, comprou em 1965 a casa de S. Mamede de Infesta e anos mais tarde adquiriu também a colecção de obras pertencente à irmã de Abel Salazar, executou obras de restauro e adaptação a museu e construiu um pavilhão de exposições.

A abertura ao público coincidiu com a doação do imóvel à Universidade do Porto, em Maio de 1975, estando actualmente a sua gestão a cargo da Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar, criada em 1989 e dirigida pelo professor Nuno Grande.

A casa-museu chegou a estar ameaçada pela construção ao lado do troço final do Itinerário Principal 4, que vai ligar o centro de Matosinhos à auto-estrada 4, mas, por insistência da associação divulgadora e da autarquia, o traçado foi afastado do imóvel.

Narciso Miranda referiu que foi aprovada uma zona de protecção em redor da casa-museu, que impede quer a construção de novas rodovias quer a edificação no terreno agrícola em frente.

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