Casados e solteiros "enfrentam-se" na noite dos Reis Magos

Casados e solteiros "enfrentam- se" hoje, na freguesia de Tinalhas, Castelo Branco, numa tradição centenária em honra dos Reis Magos que consiste num desafio de cantares em cortejo pelas ruas da povoação, disse fonte da organização.

Agência LUSA /

"Os grupos de solteiros e casados desfilam pelas ruas e cantam ao desafio a ver quem se rende primeiro"m, disse à Agência Lusa José Apolinário, presidente da Junta de Freguesia de Tinalhas, localidade com cerca de 700 habitantes.

A tradição, centenária, intitula-se "Ah Que Se Cha", nome cuja origem estará relacionada precisamente com uma das quadras cantadas na iniciativa: a Virgem Maria pariria um menino "ah, que se chamaria Rei".

A festa, organizada pela Junta de Freguesia e pela Sumagre - Associação de Dinamização e Salvaguarda Patrimonial, conta ainda com a colaboração da Sociedade Filarmónica de Tinalhas, que cede músicos e instrumentos.

"Os músicos dividem-se entre solteiros e casados e cada grupo quer dar o seu melhor", frisa José Apolinário.

Ao início da noite de hoje o cortejo sai da capela do largo do Espírito Santo - onde participantes e parte da população se reúne em redor de uma fogueira - sendo encabeçado por uma luz "que simboliza a estrela que guia os reis até ao presépio".

Percorre a povoação, com solteiros e casados cantando ao desafio "e as pessoas vão dando dinheiro, umas, outras vinho".

"Antigamente, davam coisas que tinham em casa, como batatas ou feijão. Eram tempos de fome e miséria, as pessoas acabavam por se divertir mas iam matando a fome", explica.

O regresso faz-se ao ponto de partida onde a festa se prolonga, noite fora, em redor do madeiro, com vinho e "cerca de 15 quilos de filhós", previamente confeccionados.

"O dinheiro recolhido acaba por servir para pagar as filhós", sublinha.

José Apolinário integra o grupo dos casados, enquanto os filhos solteiros estão no grupo opositor.

"Corre tudo da melhor maneira. É uma tradição e não há guerrilhas, mas, noutros tempos, dava quase sempre pancada no fim".

Admite, no entanto, que, em pleno largo, onde os grupos ficam a cantar ao desafio, "são os casados que acabam por desistir primeiro".

"É uma questão de dar um bom exemplo aos mais novos", confessa.


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