Catarina Sobral vence Prémio Nacional de Ilustração com "As pessoas são esquisitas"
A ilustradora Catarina Sobral venceu o Prémio Nacional de Ilustração, pela obra "As pessoas são esquisitas", com texto de Victor D.O. Santos e edição da Orfeu Negro, anunciou hoje a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).
O júri atribuiu por unanimidade o prémio, relativo a obras publicadas em 2025, destacando a "consistência, coerência e solidez das ilustrações ao longo da narrativa, bem como o sentido de humor, a definição das personagens e a representação dos ambientes".
Segundo o júri, trata-se de um álbum particularmente inspirado, em que Catarina Sobral explora o encontro entre texto e ilustração de forma a criar múltiplos sentidos, enriquecendo mutuamente as dimensões gráfica e textual.
As duas menções especiais foram atribuídas a Catarina Alves, pelas ilustrações de "Natália Correia: Entre o riso e a paixão", com texto de Maria João Martins e edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e Pato Lógico, e a Madalena Matoso, pelas ilustrações de "Fantasmas", com texto de Clara Rowland e edição da Planeta Tangerina.
Na obra sobre Natália Correia, o júri destacou o estilo original de Catarina Alves, "em rutura com a maioria do panorama editorial infantojuvenil atual", salientando ainda a forma como o traço "acompanha na perfeição" a personalidade da escritora retratada, através do domínio da figuração, dos planos cinematográficos e da sobriedade cromática.
Quanto a "Fantasmas", o júri realçou a capacidade de Madalena Matoso para articular "a fluidez do abstrato com a densidade e a profundidade do texto", através do equilíbrio e tensão entre o concreto e o abstrato e entre o preto e o branco.
O júri decidiu ainda atribuir três destaques às obras "Ão ão!", com texto e ilustração de Joana Estrela, publicado pela Planeta Tangerina, "Eu não sei", com texto e ilustração de Tiago Galo, editado pela Elástico-Pancho, e "O roxo é um cachecol de inverno", com ilustração de Marta Madureira e texto de Afonso Cruz, publicado pela Tcharan.
Concorreram a esta 30.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração 61 obras, da autoria de 47 ilustradores, publicadas por 33 editoras, além de três edições de autor.
O júri foi constituído por Cristina Sampaio, Cláudio Garrudo e Sara Ludovico, em representação da DGLAB.
Criado em 1996, o Prémio Nacional de Ilustração é atribuído anualmente pela DGLAB para promover o reconhecimento da ilustração original e de qualidade portuguesa, distinguindo um ilustrador pelo conjunto de ilustrações de uma obra publicada no ano anterior e atribuindo duas menções especiais.
O prémio tem um valor de 10 mil euros, acrescido de uma comparticipação de 1.500 euros destinada a apoiar uma deslocação à Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha.
Cada uma das menções especiais recebe também 1.500 euros para comparticipação da deslocação à feira.
Nascida em Coimbra em 1985, Catarina Sobral estudou Design e fez um mestrado em Ilustração, trabalhando como ilustradora, realizadora de cinema de animação e autora de conteúdos para a infância.
Publica regularmente desde 2011 e já assinou mais de 25 livros infantis, muitos dos quais publicados em dezenas de línguas, tendo também trabalhado para rádio e teatro.
Catarina Sobral já tinha recebido o Prémio Nacional de Ilustração em 2024, pela obra "Fantasmas, bananas e avestruzes", das Edições Assembleia da República.
No ano passado, o vencedor foi o artista visual André da Loba, pelas ilustrações do audiolivro "Contos Cantados", com texto de Carlos Marques e edição da Trimagisto com O Bichinho do Conto.