CCB diz que mostra evocativa da Exposição Mundo Português vai focar urbanismo
O presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), António Lamas, sustentou hoje que a mostra sobre a Exposição do Mundo Português, prevista para o outono, "tem um olhar urbanista e não visa recordar a ideologia do regime" de 1940.
O responsável apresentou aos jornalistas o projeto da mostra "Exposição do Mundo Português -- Explicação de um Lugar", que deverá inaugurar ao público no outono deste ano, num espaço ainda não definido, que poderá ser o Museu de Arte Popular ou a Gare Marítima de Alcântara.
Fotografias da exposição de 1940 - que glorificava o mundo português, através dos Descobrimentos e das colónias no ultramar - esculturas, textos, objetos diversos e peças que restaram do evento, vão integrar esta mostra organizada pelo CCB, "porque se relaciona com a história da zona de Belém".
A "Exposição do Mundo Português" em 1940 visou comemorar a data da fundação do Estado Português, em 1140, da Restauração da Independência, em 1640, mas também, e sobretudo, celebrar o Estado Novo e a sua ideologia.
Questionado pelos jornalistas sobre as razões que levaram o CCB a evocar um evento que teve como objetivo principal glorificar uma ditadura, liderada por Oliveira Salazar, o presidente do CCB refutou a ideia, sustentando que a intenção agora "é dar um olhar urbanístico que interprete a zona".
"A exposição que estamos a organizar não é sobre a ideologia nem explica a ideologia que fomentava. O objetivo é perceber a importância que teve para a criação do lugar onde estamos hoje", sublinhou o responsável, que está a criar um Plano Estratégico para o eixo Belém-Ajuda que deverá entregar ao Governo no final de julho.
Para o presidente do CCB, a mostra "Exposição do Mundo Português -- Explicação de um Lugar", com comissariado de Margarida Magalhães Ramalho e Maria da Cunha Belém, e design de Henrique Cayatte, visa ainda "contribuir para a identidade da zona e a sua coesão, no âmbito da gestão integrada", prevista no Plano Estratégico.
A zona que vai da Torre de Belém, a poente, à Cordoaria, a nascente, e da margem do Tejo até ao Museu de Etnologia e Palácio da Ajuda reúne 25 monumentos, museus, jardins e palácios, muitos deles classificados.
"No entanto, desde a construção do CCB, há 20 anos, poucos foram os melhoramentos e transformações no património cultural da zona de Belém, e as carências de requalificação são grandes na generalidade", sustentou.
O CCB acabou por ser construído no exato lugar onde se encontrava o Pavilhão dos Portugueses no Mundo, projetado em 1939 por Cottinelli Telmo.
Da exposição de 1940 - cujos pavilhões, de forte cunho modernista, foram projetados para serem efémeros - perduram até hoje, entre outros vestígios, o Museu de Arte Popular e o Padrão dos Descobrimentos.
Sobre o espaço que deverá acolher a "Exposição do Mundo Português - Explicação de um Lugar", António Lamas disse que gostava que fosse o Museu de Arte Popular, e fez o pedido ao secretário de Estado da Cultura, aguardando uma decisão.