Celebrar a noite em Lisboa com a II Bienal Internacional da Luz

Lisboa será palco de 21 a 30 de Setembro da segunda edição da Bienal Internacional da Luz - Luzboa 2006 -, um evento dedicado à luz e iluminação que leva à rua várias manifestações de arte contemporânea.

Agência LUSA /
DR

Ao longo da cidade vão ser criados três percursos que atravessam zonas carismáticas, transformadas com projectos de iluminação originais, celebrando a noite e promovendo várias intervenções artísticas, anunciou hoje em conferência de imprensa Mário Caeiro, director da Bienal.

O evento, que este ano decorre sob o lema " A arte atravessa contigo a noite", é uma iniciativa da associação cultural Extramuros (que actua no espaço público desde 2000), em parceria com a câmara de Lisboa, a EDP e a embaixada de França, contando ainda com apoios de várias marcas e empresas.

Durante várias noites, será promovida a imagem de Lisboa que poderá ser vista transformada pela arte da Luz que ilumina edifícios, ruas e monumentos, apresenta projecções, esculturas e figuras que actuam com fatos iluminados.

O percurso da "Lisboa aristocrática", que vai do Príncipe Real ao Largo de Camões, será dominado pelo vermelho.

Neste caminho, poderá ser vista uma estrutura iluminada idêntica a um electrocardiograma, obra da artista checa Jana Matejkova intitulada Coração, que pretende criar "as pulsações" da cidade.

Mais à frente, o jardim de S. Pedro de Alcântara vai ser iluminado com lanternas vermelhas, a sinalizar o seu actual estado:

fechado para obras de remodelação.

O percurso da "Lisboa Pombalina" vai do Chiado a Santa Justa, onde predomina a cor verde.

No Chiado haverá projecções em edifícios, no Largo de São Carlos haverá uma instalação-escultura, Cavalo de Tróia, da autoria do artista Bruno Peinado, uma peça que brilha e gira sobre uma base e permite neste espaço um jogo de reflexos.

No espaço dos antigos Armazéns do Chiado haverá uma projecção com "uma floresta" de luz, um projecto com o nome Sur Nature, da autoria de Miguel Chevalier, um artista que nasceu no México e vive em França.

Finalmente, será iluminado a azul o caminho da "Lisboa Antiga", que vai das Escadinhas de São Cristóvão até Alfama, num percurso onde haverá também uma intervenção sonora, com fado gravado, a acompanhar a projecção de retratos de habitantes do bairro.

Na Costa do Castelo vai estar "2004-Light, Color and no Sound", da autoria do português Pedro Cabral Santos, e no Miradouro de Santa Luzia uma peça fotográfica descrita como "monumental", que apresenta uma figura feminina tendo como cenário o céu estrelado de Lisboa.

A bienal vai ainda sugerir um novo projecto de iluminação permanente para o Panteão Nacional, mais ténue do que o actual e com uma mutação de cor muita lenta, explicou Samuel Fernandes, coordenador-geral da iniciativa.

Esta será a segunda edição da Luzboa, depois de a primeira iniciativa do género ter decorrido entre Maio e Setembro de 2004.

"Em 2004, a Bienal contou com 250 mil visitantes, mas estamos convencidos de que a Luzboa 2006 vai suplantar a anterior edição", afirmou Mário Caeiro, adiantando que o programa deste ano faz uma "síntese feliz" do que foi conseguido anteriormente e do que não se conseguiu fazer.

A par dos vários projectos "iluminados" de arte urbana e de visitas guiadas, a Bienal pretende ainda promover o conhecimento da luz através de conferências e da atribuição do prémio Luzboa-Schréder que deverá homenagear um conjunto de personalidades cuja percurso profissional possa ser considerado um contributo para uma verdadeira Cultura da Luz.

Neste âmbito, haverá várias conferências integradas no Congresso da Noite que promovem a reflexão e o debate com especialistas sobre iluminação urbana, geografia, arte pública e urbanismo.


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