Cem anos de cinema brasileiro na Cinemateca Francesa em Paris

A Cinemateca Francesa, em Paris, vai apresentar "quase cem anos de cinema brasileiro", numa retrospetiva que tem início a 18 de março e se estende até 18 de maio, disse à Lusa Bernard Payen, responsável pela programação.

Lusa /

"Começamos com os filmes mudos, por exemplo, `Braza Dormida`, de Herberto Mauro (1928), e `Limite`, de Mário Peixoto (1929) - dois grandes clássicos do cinema mudo -, até aos filmes da nova geração de cineastas, com curtas-metragens ou com primeiras longas-metragens", explicou à Lusa o programador, que descobriu o cinema brasileiro durante os nove anos em que trabalhou na Semana da Crítica do Festival de Cannes.

O panorama do cinema brasileiro propõe, ainda, uma viagem pelas "chanchadas" (comédias) dos anos 50, à boleia de filmes como "Absolutamente Certo", de Anselmo Duarte, passando pelo Cinema Novo dos anos de 1960, com "Antonio das Mortes", de Glauber Rocha, ou "Ganga Zumba", de Carlos Diegues.

Depois, há filmes do Cinema Marginal dos anos 1970, como "O Bandido da Luz Vermelha", de Rogério Sganzerla, e obras mais populares da mesma década, como "Dona Flor e seus dois maridos", de Hector Babenco.

A retrospetiva vai também projetar filmes mais conhecidos como "Central do Brasil", de Walter Salles, e a "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, assim como os "representantes de uma nova geração", como "Madama Satã", de Karim Aïnouz, e uma série de documentários e curtas-metragens experimentais.

O convidado especial que vai marcar presença na inauguração da retrospetiva é o realizador Carlos Diegues, numa "homenagem a uma figura do Cinema Novo e a um cineasta francófilo que faz a ponte entre o Brasil e a França", justificou Bernard Payen, sublinhando que "um filme como `Bye Bye Brasil` [1979] é uma obra de transição entre o Brasil antigo e o Brasil moderno", da mesma forma que "a retrospetiva quer ser um testemunho dessa transição", disse Bernard Payen à Lusa.

Carlos Diegues, com uma carreira de 50 anos no cinema, que conta com obras como "Chuvas de verão", "Xica da Silva", "Deus É Brasileiro" ou "Bye Bye Brasil", esteve recentemente em Portugal para a rodagem do filme "O grande circo místico", inspirado na história de amor do poema de Jorge Lima.

A Cinemateca Francesa convidou ainda os jovens cineastas Cláudio Marques e Juliana Rojas para participarem, a 23 de março, numa mesa redonda intitulada "O panorama do cinema brasileiro dos primórdios aos nossos dias".

"Gostaria muito que as pessoas mais curiosas viessem para descobrir o cinema brasileiro, porque não é suficientemente conhecido em França. A ideia é mostrar muitos clássicos que são pouco conhecidos, alguns filmes raros e dar uma visão global do cinema contemporâneo", continuou Payen, precisando que, "nos últimos dois anos, a Cinemateca tem vindo a programar curtas-metragens de jovens autores brasileiros".

Paralelamente à retrospetiva na Cinemateca Francesa, o Brasil vai ser homenageado na 17.ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, de 07 a 14 de abril, e na 27.ª edição do Festival Cinélatino na cidade de Toulouse, no sul de França, de 19 a 29 de março.

O Brasil é, ainda, o convidado de honra do Salão do Livro de Paris, com a presença de 48 autores brasileiros, a decorrer de 20 a 23 de março.

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