Centro de Estudos Camilianos cria públicos para a Cultura, ministra

A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, afirmou que o Centro de Estudos Camilianos, hoje inaugurado, além de divulgar a literatura portuguesa do século XIX ,"cria novos públicos para a cultura em geral".

Agência LUSA /

"Este Centro tem uma componente museológica e de investigação, que reporta à obra camiliana, mas é de grande polivalência e abertura à contemporaneidade, com teatro, mostras plásticas, e música, ou seja, funciona com um olhar do século XXI", disse.

Isabel Pires de Lima falava aos jornalistas à margem da inauguração do Centro de Estudos Camilianos, em S. Miguel de Seide, e da reabertura da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco.

Presentes na cerimónia o presidente da Câmara local, Armindo Costa, o director da Casa de Camilo, Aníbal Pinto de Castro, a escritora Agustina Bessa-Luís e o arquitecto Álvaro Siza Vieira, que projectou o Centro.

A inauguração coincidiu com a abertura do II Congresso Internacional de Estudos Camilianos, sob o tema "A Retórica na Ficção Camiliana", em que participam estudiosos de Camilo vindos do Brasil, Espanha, França, Estados Unidos e outros países.

Comentando "o pedido camiliano" do director do Centro para que "abra os cordões à bolsa", a ministra sublinhou que o Estado financiou a obra com 1,9 milhões de euros - 80 por cento dos quais já entregues - mas admitiu que "haverá, porventura, outras formas de cooperação".

Na sua alocução aos congressistas, Isabel Pires de Lima acentuou que a Casa-Museu de Camilo, ao integrar a Rede nacional de Museus, "valoriza-se a si mesma e contribui para o enriquecimento da segunda, sendo certo que as redes culturais, deverão ir para além das meras estruturas físicas".

"Os convénios assinados com casas-museus ou fundações de outros autores (Eça de Queiroz, José Régio, Guerra Junqueiro) são bons sinais de dinamização, de circulação e troca de informação e possível organização conjunta de actividades", salientou Isabel Pires de Lima.

O autor do projecto, o arquitecto Álvaro Siza Vieira, congratulou-se com o facto de a obra ter decorrido sem polémicas e sem problemas, salientando que "é raro encontrar-se, junto ás cidades, zonas rurais tão bem conservadas como a de Seide".

Siza Vieira anunciou que vai continuar a trabalhar no local, através da remodelação da zona da Casa-Museu e do centro da freguesia, esperando "contribuir para a manter como está, o que nem sempre sucede em Portugal".

O Centro de Estudos, que implicou um investimento de 3,6 milhões de euros, foi construído em frente à Casa-Museu de Camilo.

Tem um auditório com 138 lugares, um átrio polivalente, uma biblioteca camiliana, uma sala de exposições, depósitos para o acervo camiliano, gabinetes de trabalho e uma cafetaria com esplanada.


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