Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota perdeu 90% das árvores

Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota perdeu 90% das árvores

Cerca de 90% das árvores do terreno onde está o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA), em Porto de Mós, no distrito de Leiria, caíram devido à depressão Kristin, anunciou hoje a administração.

Lusa /

Classificado monumento nacional desde 2010, o campo da batalha de Aljubarrota tinha uma densa mancha de pinheiro manso, pinheiro bravo, cedros e oliveiras, que cederam à força dos ventos na madrugada de quarta-feira.

"Ficámos com 90% das árvores completamente destruídas. São mais de 200 árvores. Espera-nos agora todo um trabalho de remoção e limpeza", afirmou o diretor do CIBA, Tiago Paz, à agência Lusa.

O campo onde aconteceu a Batalha de Aljubarrota "foi muito fustigado", sobretudo na sua componente natural, existindo também danos na cobertura do núcleo da 1.ª Posição da Batalha, próximo da vila da Batalha, onde a Fundação Batalha de Aljubarrota tem um espaço museológico, há algum tempo encerrado.

Como consequência dos estragos, o CIBA estará encerrado até pelo menos dia 09, não existindo ainda data prevista para a reabertura.

Segundo Tiago Paz, "é preciso garantir um conjunto de condições", nomeadamente no que respeita à revisão dos sistemas elétricos e fornecimento de energia, para "ter o interior do CIBA preparado para a reabertura".

Quanto às árvores, o responsável desconhece ainda qual a decisão a tomar pela fundação: "Temos de avançar com os trabalhos de remoção, mas a procura é muitíssimo alta neste momento". 

O CIBA tentará recuperar as oliveiras, "mas as restantes não será possível aproveitar".

"São árvores com muitas décadas. Perderam-se muitas décadas de trabalho numa simples noite", lamentou o diretor.

Na zona florestal funcionava um circuito de arborismo que se perdeu: "Vamos avaliar o que faremos, mas não parece que haja nenhuma situação fácil de resolver, porque, de facto, aquelas árvores levaram muitas décadas a crescer", concluiu.

Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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