Cerca de 25 mil pessoas passaram pela Bienal Anozero em Coimbra

Cerca de 25 mil pessoas passaram pela Bienal Anozero em Coimbra

Cerca de 25 mil pessoas passaram pela Bienal Anozero em Coimbra, um número que cresceu face à edição anterior graças ao reforço da projeção internacional e ao aumento de visitantes locais, revelou hoje a organização.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Bienal Anozero

"Objetivamente temos bastante mais público: cerca de 25 mil pessoas. Na última edição tínhamos tido cerca de 16 mil visitantes", informou o diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Carlos Antunes.

Organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra em conjunto com a Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra, a Bienal Anozero arrancou a 11 de abril e encerrará no próximo domingo.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Antunes explicou que o número de visitantes resulta de uma estimativa, uma vez que a Bienal funciona sem bilheteira e algumas atividades decorreram em espaços sem controlo de entradas, como o Jardim Botânico.

"Depois de um início mais ou menos conturbado, as coisas começaram a crescer muito. Acho que isto tem muito a ver com a visibilidade da Bienal, do ponto de vista nacional e internacional, especialmente a visibilidade mediática internacional como nunca tivemos até agora, em alguns dos grandes jornais do mundo: o The Guardian e o New York Times", referiu.

De acordo com o diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, esta visibilidade internacional terá mesmo atraído visitantes estrangeiros a Portugal.

"Temos relatos de pessoas que vieram depois de ver notícias nestes jornais internacionais. Em alguns casos, a Bienal serviu de pretexto para a realização de férias em Portugal", contou.

Também o crescimento do público local, ao longo desta edição, "foi notório", estando hoje a Bienal "mais integrada nas dinâmicas culturais de Coimbra".

"Hoje temos já uma geração que cresceu com a Bienal. Pessoas que tinham dez anos quando isto começou têm agora mais de 20 anos e cresceram claramente com este ritmo", sustentou.

À Lusa, Carlos Antunes admitiu ainda que, apesar do sucesso em termos de público, a edição de 2026 enfrentou desafios financeiros, uma vez que o orçamento, na ordem dos 700 mil euros, não acompanhou a inflação nem crescente ambição do projeto.

"Apesar disso, crescemos do ponto de vista dos mecenas, das instituições que hoje apoiam a Bienal. O número de fundações aumentou - eram três e agora são cinco -, portanto tem havido um reconhecimento a nível nacional da importância da Bienal e temos hoje um apoio fundacional que não é nada comum em programas em Portugal", alegou.

Quanto ao futuro, confirmou que o projeto "Solo Show" continuará assegurado e apontou para a realização da Manifesta 17 em Coimbra, em 2028, como uma oportunidade de transformação estrutural.

"A Manifesta será uma mudança de escala absoluta", vincou, acrescentando que o verdadeiro impacto deverá ser medido a partir de 2030, quando a cidade e a Bienal começarem a colher os resultados desse processo.

O diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra admitiu que a motivação é grande para a mudança de escala, embora o que mais lhe interessa seja o pós-Manifesta.

"O `ano zero` será em 2030, quando já tivermos feito a Manifesta. Esse é o momento da verdadeira mudança, pois não podemos olhar para a Manifesta como uma coisa efémera, mas uma mudança da escala, da ambição, do impacto e também do orçamento: uma mudança da escala da Bienal e da própria cidade", concluiu.

A bienal nómada europeia Manifesta, que este ano se realiza na região do Rhur, na Alemanha, estreia-se em Portugal em Coimbra, em 2028, também numa primeira coorganização com a uma entidade arística local e com uma iniciativa como a Anozero.

 

 

Tópicos
PUB