Chaínho e Custódio Castelo afirmam que classificação "dará maior visibilidade"
Lisboa, 18 nov (Lusa) -- Os guitarristas António Chaínho e Custódio Castelo consideram a possível classificação do Fado como Património Imaterial da Humanidade um facto de "grande importância" que "dará ainda maior visibilidade" a este género musical.
António Chaínho afirmou à Lusa que quando se verificar a proclamação do Fado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO será "o dia mais feliz" da sua carreira.
"Eu próprio sinto-me responsabilizado pois participei em muitas reuniões, mas devo salientar o contributo decisivo dado pelo [musicólogo] Rui Vieira Nery e pela [diretora do Museu do Fado] Sara Pereira", disse António Chaínho.
O guitarrista e compositor, com uma carreira de cerca de 60 anos, é membro da comissão consultiva da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO e, desde o começo, tem seguido e apoiado a construção do Museu do Fado.
Para o músico que acompanhou praticamente todos os grandes nomes do Fado, e durante mais de duas décadas foi guitarrista de Carlos do Carmo, vir a alcançar a inscrição na Lista do Património Imaterial da Humanidade "é o melhor que aconteceu até agora na História do Fado".
António Chaínho, como solista, tem-se apresentado nos mais prestigiados palcos do mundo.
Custódio Castelo, também guitarrista e compositor, que tem acompanhado nomes como Maria da Fé, Cristina Branco e Ana Moura, entre outros, entende que "o reconhecimento mundial [pela UNESCO] dará ao Fado uma visibilidade que nunca teve".
O guitarrista espera que seja "um reconhecimento desse património que é do povo e que foi passando de geração em geração, este canto de saudade que é único".
Castelo está confiante que ,"haja o que houver, o fado tem uma força tal que jamais irá ser modificado por quem quer que seja", não temendo "qualquer hipótese de que venha a ter condicionantes".
O músico referiu ainda "o bom momento" que o fado está a passar, "com novos músicos e um renovado interesse pela arte".
Uma arte que não quer que se perca, designadamente, "reconhecer essa capacidade extraordinária dos diferentes músicos saberem de cor e em todos os tons os cerca de 400 fados tradicionais, como faziam os antigos guitarristas".
Referindo-se à abertura do Fado a novas músicas, o músico afirmou à Lusa que "tem sido uma constante, mas é essencial que se mantenha Fado e não perca as características que o tornam único".
Custódio Castelo já participou em vários festivais internacionais como solista e, desde 2008, leciona o primeiro curso superior de Guitarra Portuguesa na Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco.
A candidatura do Fado a património imaterial foi apresentada pela Câmara Municipal de Lisboa através da EGEAC/Museu do Fado em junho de 2010, e será votada no VI Comité Inter-Governamental da Convenção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que se reúne de 22 a 29 deste mês em Bali, na Indonésia.
A candidatura portuguesa está entre as sete recomendadas pelo comité de peritos da UNESCO, ao lado do conhecimento dos jaguares, pelos xamãs da tribo ameríndia colombiana Yurupari, da música Mariachi, do México, das danças Nijemo Kolo da Dalmácia (Croácia), da música e dança tsiattista do Chipre, e a cavalgada de reis da Morávia (República Checa).