Chico Buarque mais à-vontade em palco, após 40 anos de carreira

Tímido por natureza, o músico e compositor Chico Buarque admite que, ao fim de 40 anos de carreira, já se sente mais à-vontade em palco, mas confessa que preferiria ser um dos músicos da banda que o acompanha.

Agência LUSA /
Lusa

"Antes, tinha a impressão de estar um pouco deslocado, sentia-me fora do l ugar. Agora, talvez por termos ensaiado muito, por nos conhecermos muito, por br incarmos muito e estarmos juntos, acho que consegui integrar-me com os músicos d a banda e senti-me um músico também", disse Chico Buarque hoje, em conferência d e imprensa, depois de chegar a Portugal para uma série de nove concertos. "Em quase todas as músicas toco violão e participo também como instrumenti sta no `show`, até em partes que são instrumentais, entre uma música e outra. Na quele momento, sou mais um músico daquela banda e esse é um prazer muito grande" , sublinhou.

"Muitas vezes pensava: sinto-me mal cantando ali na frente do palco. Seria tão melhor se pudesse ser o sujeito que me acompanha, né? Queria ser um músico da minha banda", confidenciou. Inquirido pela Lusa sobre o público que irá assistir aos concertos, após 1 3 anos de ausência dos palcos portugueses, o cantor afirmou que, tal como aconte ceu na apresentação em São Paulo do seu último álbum, "Carioca", que serve de ba se ao repertório do espectáculo, espera um público de várias gerações.

"Em São Paulo - não eram 13 anos mas eram sete [de ausência], o que é bast ante - havia uma grande quantidade de gente jovem, jovem mesmo, 17 ou 18 anos, q ue não me conhecia no palco, via-me pela primeira vez. Isso é muito interessante , muito bom. Quando as luzes se acendiam no final do espectáculo, tinha uma ou o utra cabeça branca, mas a maioria eram jovens", contou.

"São 40 anos de música, é muita coisa, tem canções para todos os gostos", observou, gracejando: "Tenho a impressão de que tem gente que vai porque tem med o que acabe".

Apesar de reconhecer que as suas referências políticas, afectivas, artísti cas, cinematográficas "são todas antigas", Chico Buarque considera que, mesmo nã o tendo muito tempo para ouvir "a música de agora", acaba por assimilá-la nas su as canções.

"Não sou surdo, vou escutando na rua, e essa nova música vai penetrando na minha criação, se impregna no meu trabalho", explicou.

Como exemplos do que vai ouvindo de novo e a que reconhece qualidade, enum era "a gente do rap, Lenine, Chico César, Marcelo Camelo, de Los Hermanos, canto ras, muitas cantoras, e muitos músicos, com qualidade superior à de há 30 ou 40 anos".

Sobre o alinhamento do espectáculo, Chico Buarque disse que terá como base as 12 canções de "Carioca", editado em Portugal pela EMI, - "canções sobre o Ri o de Janeiro, canções de amor e muitas canções de cinema" - e que incluirá ainda clássicos, sobretudo das décadas de 80 e 90, e algumas músicas quase esquecidas , num total de 28 ou 29 canções.

"Muitas delas são canções que nunca tinha apresentado no palco. Algumas nu nca tinha mesmo gravado", referiu.

O primeiro concerto em Portugal será no casino de Espinho (28 de Outubro), seguindo-se-lhe três no Coliseu do Porto (30 e 31 de Outubro e 01 de Novembro) e cinco no Coliseu dos Recreios, em Lisboa (de 03 a 07 de Novembro). Todos com a topografia do Rio de Janeiro como cenário.


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